quinta-feira, 11 de agosto de 2016

SER ALUNO NÃO É SER ESTUDANTE !



SER ALUNO NÃO É SER ESTUDANTE
          Eis aí dois conceitos distintos. Duas denominações bem diferentes. Aluno não é sinônimo de estudante. São dois termos que não compartilham dos mesmos significados.
          Ser aluno é um título que presta - se apenas para administração da documentação escolar com o objetivo de prestar contas ao governo do número total de evadidos, transferidos, repetentes, aprovados e reprovados, bem como o total de “clientes” atendidos pela instituição de ensino. Ser estudante é uma decisão estratégica e uma escolha consciente inseparáveis de um projeto de vida.
          Ser aluno é uma rotina burocrática nos estabelecimentos de ensino. Ser estudante é uma tomada de atitude frente ao futuro.
          Um estudante é imperiosamente, um intelectual, ao passo que um aluno qualquer pode ser um simples semiletrado.
          Comumente, um estudante luta para saber cada vez mais, já o mero aluno quer apenas conseguir passar.
          Um leva o dever a sério. Outro representa um tesouro. Está fantasiado de estudante, mas é apenas um aluno a mais.
          Com o passar do tempo a própria sociedade se encarrega de separar o joio do trigo, porquanto na vida, ninguém consegue colher o que nunca plantou.
          Finalmente, o aluno comparece na enumeração da caderneta, como simples expressão quantitativa da sala, já o estudante, se destaca nas notas e médias do boletim, como dimensão qualitativa da sua escola.
          Poderíamos se quiséssemos prosseguir infinitamente estas comparações. Entretanto, o que foi escrito é o quanto custa a um bom observador do palco social, com seus protagonistas autênticos e seus figurantes.


QUESTÕES SUGERIDAS
1- Marque V para verdadeiro e F para falso. Justifique todas as alternativas com fragmentos do texto lido.
a) os conceitos referentes a aluno e estudante são semelhantes. (   )
b) quem assume uma postura de aluno tem mais chances de obter sucesso no futuro. (   )
c) Os estudantes ajudam a apresentar uma imagem positiva da escola perante a sociedade. (   )
2 – Coloque A para aluno e E para estudante.
a) Quer sempre aprender mais. (   )
b) Fica completamente satisfeito se passar de ano, mesmo sabendo que não aprendeu quase nada. (   )
c) Reflete apenas quantitativo de “clientes” da escola. (   )
d) Representa positivamente a escola através de um bom desempenho.
3 – Pense e reflita: Você se considera aluno ou estudante? Se sua resposta foi à segunda opção informe o que lhe falta para ser um estudante.
4- Resolva o desafio que segue e descubra o fator que é TUDO, pois é determinante para que possamos assumir corajosamente o papel de verdadeiros estudantes.
Ø  Observe a palavra abaixo e ao lado de cada letra indique o número correspondente a sua posição no alfabeto. Depois some e veja o quanto esta virtude é valorosa para mudar a nossa vida.
A
T
I
T
U
D
E

SOMA









5 – Pense e discuta com seus colegas e professores o significado dos seguintes termos: “protagonistas autênticos” e “figurantes simulados”. Agora, considerando o que aprendemos quanto aos conceitos de aluno e estudante responda a qual deles o autor relaciona cada um desses termos:
Ø  PROTAGONISTAS AUTÊNTICOS
Ø  FIGURANTES SIMULADOS

6- Após a leitura do texto e as diversas reflexões construídas coletivamente, produza um texto desenvolvendo o enunciado abaixo:
“Não basta ser aluno. É preciso ser estudante.”


11 DE AGOSTO DIA DO ESTUDANTE



Ser aluno ou ser estudante

O que é ser aluno e o que é ser estudante? Ser aluno é ser estudante?
 Essas palavras são sinônimas? Por que quando falamos, por exemplo, que Fernanda foi aluna do professor Vicente, não podemos também dizer que Fernanda foi estudante de Vicente? Por que casa de estudantes e não casa de alunos? Acho que deu para perceber que há certa diferença entre os sentidos das palavras aluno e estudante. 
A etimologia é a seguinte: aluno palavra derivada do latim alere, que significa alimentar, nutrir, crescer, desenvolver, animar, fomentar, criar, sustentar, produzir, fortalecer etc.
E estudante é aquele que não aprende só na sala de aula, para ele, aprender o ABC não basta. Por isso, procura o que deseja para sua vida na escola, sabendo que esta o recolherá, orientará e dirigirá. É também aquele que confere nos mestres o saber, ciente de que eles não o decepcionarão.
Conta-se numa fábula que havia, numa fazenda, uma sociedade entre um porquinho e uma galinha. Os negócios iam bem, quando de repente, os concorrentes começaram a imitá-los e vender seus produtos, de menos qualidade, por preços bem inferiores. A sociedade começou a falir. Num belo dia, a galinha teve uma excelente ideia e contou para o porquinho:
- Galinha – Tive uma ideia para nos salvar, porquinho!
- Porquinho – Qual foi sua ideia?
- Galinha – Vamos vender ovos com bacon...
O porquinho ficou eufórico, saltitante e muito empolgado.
- Porquinho – Excelente ideia galinha, vamos ficar ricos...
Os dois foram descansar para no outro dia começar a colocar em prática a ideia da galinha. Mas, chegado o dia seguinte, o porquinho bem triste encontrou a galinha. 
- Galinha – O que foi porquinho? Você estava tão bem ontem. Vamos começar a fazer os ovos com bacon?
- Porquinho – Não, não vamos...
- Galinha – Por que porquinho?
- Porquinho – Para você é fácil, você já coloca os ovos, mas eu terei que doar minha carne para que consigamos o bacon. Não vou fazer isso.
Como o porquinho não quis participar da ideia da galinha para salvar a sociedade, e, desta forma, faliram.
Moral da história: A galinha tinha o compromisso, teve a ideia, estava preocupada, participativa, mas o comprometimento era do porquinho que tinha que se doar para que o compromisso fosse cumprido e o negócio entre eles fosse salvo.
Se trouxermos essa moral para a noção de aluno e estudante, poderíamos dizer que todos os que estão em sala são alunos, estão com o compromisso firmado com o Colégio, com os pais e com a sociedade, pois estão trabalhando com um mestre em sala. Mas, o estudante é aquele que se doa para os estudos, tem sede de aprender. Ser estudante é buscar ser culto, é negar alguns prazeres passageiros hoje, para que no futuro, tenha prazeres mais duradouros e até permanentes. Ser estudante é realizar novos desafios e transpor barreiras para conseguir seus objetivos.
                Ser um bom aluno não significa ser um bom estudante, mas se és um bom estudante, serás um bom aluno. O compromisso existe sem o comprometimento, mas o inverso não é verdade. Por isso, lembre-se: “A escada para o sucesso tem seus degraus feitos por compromissos firmados pelo comprometimento com os  estudos”.
Márcio Alves.






quarta-feira, 15 de junho de 2016

Magia e milagre da palavra
As palavras pesam. Talvez porque sejam a mais genuína invenção humana. Os
papagaios não falam, apenas repetem. Não escapam de seus limites atávicos. Curioso
é organismo humano não possuir um órgão específico da fala. O olho é a fonte da
visão, como o ouvido, da audição. A língua facilita a deglutição, como a traquéia, a
respiração. No entanto, a ânsia de expressar-se levou o ser humano a conjugar mente
e boca, órgão da respiração e da deglutição, para proferir palavras.
“No princípio era o Verbo”, reza o prólogo do evangelho de João. Deus é Palavra
e, em Jesus, ela se faz carne. O mundo foi criado porque foi proferido: “E Deus disse:
‘Haja a luz’ e houve luz”, conta o autor do Gênesis.
Vivemos sob o signo da palavra. Unir palavra e corpo é o mais profundo desafio
a quem busca coerência na vida. Há políticos e religiosos que primam pela abissal
distância entre o que dizem e o que fazem. E há os que falam pelo que fazem.
A palavra fere, machuca, dói. Proferida no calor aquecido por mágoas ou ira,
penetra como flecha envenenada. Obscurece a vista e instaura solidão. Perdura no
sentimento dilacerado e reboa, por um tempo que parece infinito, na mente atordoada
pelo jugo que se impõe. Só o coração compassivo, o movimento anagógico e a
meditação livram a mente de rancores e imunizam-nos da palavra maldita.
Machado de Assis ensina que as palavras têm sexo, amam-se umas às outras,
casam-se. O casamento delas é o que se chama estilo.
2
A palavra salva. Uma expressão de carinho, alegria, acolhimento ou amor, é como
brisa suave que ativa nossas melhores energias. Somos convocados à reciprocidade.
Essa força ressurrecional da palavra é tão miraculosa que, por vezes, a tememos. Orgulhosos, sonegamos afeto; avarentos, engolimos a expressão de ternura que traria luz; mesquinhos, calamos o júbilo, como se deflagrar vida merecesse um alto preço que o outro, a nosso parco juízo, não é capaz de pagar. Assim, fazemos da palavra, que é gratuita, mercadoria pesada na balança dos sentimentos.
Vivemos cercados de palavras vãs, condenados a uma civilização que teme o silêncio. Fala-se muito para dizer bem pouco. Nas músicas juvenis abundam palavras e carecem melodias. Jornais, revistas, tevê,
outdoors, telefone, correio eletrônico –há demasiado palavrório. E sabemos todos que não se dá valor ao que se abusa. Carecemos de poesia. O poeta é um entusiasmado, no sentido grego deen + theós = com um deus dentro. Como sublinha Platão no Ion, nele fala a divindade, o Outro. Em linguagem psicanalítica, fala o inconsciente. Como Orfeu, o poeta desce à noite dos infernos para recuperar Eurípides, o fantasma do desejo.
Nossa lógica cartesiana faz do palavrório uma defesa contra o paradoxo. No entanto, sem paradoxo não há arte. O belo é irredutível à palavra, mas só a palavra expressa a estética. O silêncio não é o contrário da palavra. É a matriz. Talhada pelo silêncio, mais significado ela possui. O tagarela cansa os ouvidos alheios porque seu matraquear de frases ecoa sem consistência. Já o sábio pronuncia a palavra como fonte de água viva. Ele não fala pela boca, e sim do mais profundo de si mesmo.Há demasiado ruído em nós e em torno de nós. Tudo de tal modo se fragmenta que até a hermenêutica se cala. Hermes, o deus mensageiro, já não nos revela o sentido das coisas, mormente das palavras, que se multiplicam como vírus que esgarça o tecido e introduz a morte.Guimarães Rosa inicia Grandes sertões, veredas com uma palavra insólita: Nonada”. Não nada. Não, nada. Convite ao silêncio, à contemplação, à mente centrada no vazio, à alma despida de fantasias.
Sabem os místicos que, sem dizer “não” e almejar o Nada, é impossível ouvir, no segredo do coração, a palavra de Deus que, neles, se faz Sim e Tudo, expressão amorosa e ressonância criativa.
Frei Betto

terça-feira, 31 de maio de 2016

PONTUAÇÂO 05


PONTUAÇÂO 03


Campanha dos 100 anos da ABI (Associação  Brasileira de Imprensa)
A vírgula pode ser uma pausa... ou não.
Não, espere.
Não espere.

Ela pode sumir com seu dinheiro.
23,4.
2,34.

Pode ser autoritária.
Aceito, obrigado.
Aceito obrigado.

Pode criar heróis.
Isso só, ele resolve.
Isso só ele resolve.

E vilões.
Esse, juiz, é corrupto.
Esse juiz é corrupto.

Ela pode ser a solução.
Vamos perder, nada foi resolvido.
Vamos perder nada, foi resolvido.

A vírgula muda uma opinião.
Não queremos saber.
Não, queremos saber.

Uma vírgula muda tudo.

ABI: 100 anos lutando para que ninguém mude uma vírgula da sua informação