quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Comentário sobre o meu conto:DO SILÊNCIO AO SORRISO

“A educação é direito de todos e
dever da família e do Estado”, rezam a
Constituição e o ECA. Fazer valer esse
direito, no entanto, não é algo simples e
nem fácil. Entre as situações de risco em
relação às quais crianças e adolescentes
devem ser “colocados a salvo” destacam-
se a “negligência, a discriminação,
a violência, a crueldade e a opressão”.
Nos casos dos adolescentes em conflito
com a lei, em razão do cometimento de
ato infracional, esse elenco de violações
parece funcionar de forma orquestrada
e subjacente, e não de modo ostensivo
e proclamado aos olhos da sociedade.
Na verdade, quando falamos de
casos como o de João, não estamos falando
apenas de discriminação; estamos
falando de um conjunto mais
amplo de violações aos direitos. A discriminação
funciona como a condutamãe
das demais práticas violadoras,
cujo resultado é a inviabilização escolar
de vidas ainda em seu início.
O ato infracional – principalmente
aquele cometido com violência ou
grave ameaça à pessoa – tende a gerar
um clima de insegurança na população,
fazendo com que se desencadeiem
sobre seus autores mecanismos diretos
e indiretos, conscientes e inconscientes
de segregação. Daí a compreensível
dificuldade da escola em lidar com
esses casos. Afinal de contas, qual educador
– em sua formação básica ou em
seu treinamento em serviço – foi preparado
para isso?
Daí o caráter exemplaríssimo do
causo de Ivanete Nunes de Oliveira, de
Paulo Jacinto (AL), chamado de “Do
silêncio ao sorriso”, em que ela nos
narra sobre como foi possível a uma
comunidade escolar, atuando de forma
articulada e conseqüente, enfrentar e
vencer o desafio de incluir na escola,
na comunidade e na vida social mais
ampla um jovem que tinha tudo para
ser mais um abandonado pelo sistema
oficial de ensino.
É interessante observar que Ivanete
não passou por cursos de capacitação
e de especialização sobre o ECA. Ela éuma professora com a mesma formação
dos demais. Qual foi, então, o seu
diferencial? Ela compreendeu – muito
mais que a letra – o espírito da lei. Foi
assim que procurou “apoiar-se nas
suas próprias forças, nas forças dos
que estavam com ela (equipe) e na
força das circunstâncias” para fazer
com que as conquistas do estado
democrático de direito funcionassem
em favor de João.
A história de Ivanete e João é –
como diz o Relatório Jacques Delors a
respeito da educação – “um tesouro a
descobrir”. Mais do que competência
técnica, este causo é um exemplo de
compromisso ético e de vontade política
no propósito de defender e promover
o novo direito da infância e da
juventude no Brasil.
Que a mestra alagoana deixe de ser
a exceção de hoje para ser a regra feliz
de amanhã em nosso sistema de ensino.
Obrigado, professora Ivanete, por
esta lição de cidadania.
Antonio Carlos Gomes da Costa é pedagogo,
presidente da Fundação Antonio Carlos
e Maria José Gomes da Costa e da empresa
de consultoria Modus Faciende. Foi oficial
de projetos do Fundo das Nações Unidas
para a Infância (Unicef) e da Organização

Um comentário:

  1. Antonio Carlos Gomes da Costa é pedagogo,
    presidente da Fundação Antonio Carlos
    e Maria José Gomes da Costa e da empresa
    de consultoria Modus Faciende. Foi oficial
    de projetos do Fundo das Nações Unidas
    para a Infância (Unicef) e da Organização
    Internacional do Trabalho (OIT) e participou
    da redação do ECA.

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