sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

PLANO DE AULA COM O TEXTO : MISTÈRIOS DE AMOR

É o beija-flor que beija a flor

ou é a flor que beija o beija-flor?


PAES, José Paulo. Mistério de amor. São Paulo: Ática, [s.d.]

Professor, primeiramente entregue o texto ilustrado aos alunos e oriente-os para
que observem, atentamente, o título, a ilustração e o texto construído em forma de pergunta.
Após esse primeiro contato de familiarização com o texto e todo o conjunto que
compleme

nta a mensagem, comece indagando com eles sobre:

O TÌTULO

O que é um mistério?
Quem conhece algum mistério?
Como descobrir um mistério?
Alguém na classe já desvendou algum mistério?
Que livros ou filmes já leram que fala sobre mistério?
Por que, afinal, o texto se chama “Mistério de amor”?
Que outro título poderia ser dado a esse texto?

A ILUSTRAÇÂO

O que há de comum entre a flor e o beija-flor? Ou seja, o que está presente na flor
que também está no beija-flor?
Nesse momento é importante que o professor incentive para que todos os alunos
façam a sua leitura e a socializem com os demais, refletindo com eles sobre a resposta
de cada um. Com certeza os alunos perceberão o que há de comum entre o pássaro e a
flor. Notarão a cor vermelha e a cor verde que perpassa os dois. Com a identificação
desses detalhes, pode-se conversar com os alunos sobre o significado das cores,
principalmente da cor vermelha.
O professor ainda pode fazer ver a abertura das pétalas da flor e das asas do beijaflor,
interpretando com eles que a ação de ir ao encontro e de receber o outro é reciproca,
isto é, ambos vão ao encontro.
Após a leitura da imagem e da reflexão que os elementos analisados
desencadearam, o professor deve novamente solicitar aos alunos que observem
demoradamente a ilustração, que reflitam sobre as respostas discutidas e digam se a
imagem permite responder à pergunta do autor. Esse
questionamento é relevante


no sentido de discutir os diferentes pontos de vista, bem como a importância da
argumentação para defesa das idéias de cada um. Seria interessante que cada aluno
registrasse no caderno a sua opinião. Em seguida, o professor pode escrever no quadronegro
algumas opiniões e fazer a reestruturação dos pequenos textos coletivamente.

É o beija-flor que beija a flor porque ________________________?
É a flor que beija o beija-flor porque ________________________?
Ou ainda
_________________________________________________
Como se pode perceber, a ênfase nesta unidade está no trabalho
de leitura a partir
da análise coletiva e também da produção coletiva de textos, com mediação intensiva
do professor, visto que essa prática auxilia de forma mais efetiva os alunos que têm
dificuldade em leitura e escrita. Vale lembrar, neste momento, que a reestruturação coletiva
de pequenos textos possibilita o trabalho simultâneo entre código (forma) e significado
(contéudo). A título de complementação, é bom lembrar que para os alunos que apresentam
dificuldade na leitura, seja no que se refere à decodificação, compreensão, ou mesmo à
fluência, ritmo e entonação, é relevante dar ênfase, de início, ao trabalho com textos
curtos, lúdicos, como poesias, contos, quadrinhas, piadas, músicas, entre outros.

O TEXTO E AS ATRIBUIçOES DE SENTIDO

As entrelinhas do texto nos permitem perceber que o autor fala de um encontro
amoroso.

Que conclusões podemos tirar a partir do texto e de todo conjunto que o
compõe?

Nessa etapa da leitura, os alunos já têm elementos para perceber que, na verdade,
o autor fala do encontro amoroso. Com os procedimentos de leitura sugeridos até agora,
eles têm condições de compreender que o autor teve a intenção de falar sobre o ato
amoroso e a reciprocidade, a cumplicidade que a ação de amar implica. Desse modo,
eles percebem que a resposta da pergunta feita no texto pode ser dada por meio de uma
leitura capaz de extrapolar e transcender o material escrito.

A ORGANIZAÇÂO DO TEXTO

O texto poético que estamos analisando apresenta recursos expressivos que
também auxiliam na construção de significados

. No poema de José Paulo Paes, percebese
pela leitura que há uma certa musicalidade, expressa pela repetição do fonema /b/.

Se lermos o texto em voz alta (leitura com ritmo, fluência e entonação), perceberemos
isso facilmente.

Nesse propósito, o professor pode estar enfatizando para os alunos o
som que o fonema /b/ produz, convidando-os para uma leitura em voz alta para depois
perguntar-lhes que som a repetição do referido poema representa.

Com certeza, a sonoridade do poema lhes fará perceber que há uma representação do som do beijo.

Além das dimensões semânticas e fonológica que foram discutidas até agora, é
necessário que se observe ainda nesse texto a dimensão sintática e sua importância na
construção da mensagem

. Sugere-se que, para explorar o texto nessa dimensão, perguntese
aos alunos sobre o sujeito e o objeto da primeira oração: “É o beija-flor que beija a
flor...” e da segunda oração ... “ou é a flor que beija o beija-flor ?”

Os alunos perceberão
que na primeira oração beija-flor é sujeito e flor é objeto, e o contrário, na segunda.
Todavia,
é preciso que o professor relacione esse fato com a mensagem e a intenção do autor.

Tanto o beija-flor como a flor são sujeito e objeto ao mesmo tempo. Se a temática do
texto é o encontro amoroso, no qual o beija-flor e a flor constituem-se numa metáfora do
amor, o professor pode estar confirmando com a turma os significados dos textos para
os leitores.

Como já sabemos: ambos vão ao encontro. Pode-se refletir com a turma que
no amor e na amizade também é assim.

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