terça-feira, 30 de outubro de 2012

GRAMÀTICA COM TEXTOS

SUBJUNTIVO E IMPERATIVO  -COM PROPAGANDAS E TEXTOS PUBLICITÀRIOS  6° ANO

http://revistaescola.abril.com.br/lingua-portuguesa/pratica-pedagogica/gramatica-textos-6o-ano-subjuntivo-imperativo-593043.shtml


Introdução Esta é a quarta de uma série de 16 sequências didáticas que fazem parte de um programa de estudo de gramática para 6º a 9º ano do Ensino Fundamental. Confira ao lado todas as aulas da série.
Objetivos
Ampliar o conhecimento sobre os verbos; refletir sobre os modos verbais: subjuntivo e imperativo.

Conteúdos Modos verbais - subjuntivo e imperativo

Tempo estimado Oito aulas

Ano
6º ano

Desenvolvimento

1ª etapa
Coloque no quadro a advertência presente em publicidades de bebidas alcoólicas: SE BEBER, NÃO DIRIJA.
Aponte a existência dos dois verbos que indicam duas ações - beber e dirigir - e pergunte aos alunos qual a relação que o texto estabelece entre eles. Peça que a turma pense sobre o significado da advertência e anote a conclusão a que chegar no caderno. Ouça as respostas e faça a sua interferência. Reforce o caráter de incerteza presente em "se beber", apontando para uma possível ação futura no trecho, e o caráter de ordem presente no trecho final - não dirija - associado à condição inicial. Mostre à classe o papel representado pelo "se": ele estabelece a ligação entre os dois verbos, sugerindo a ideia de condição.

Discuta a razão do caráter sintético da advertência: ele visa causar impacto. Diga aos alunos que os verbos beber e dirigir, no texto, pertencem, respectivamente, ao subjuntivo e ao imperativo. O primeiro sugere uma possibilidade, um evento que pode ou não se realizar. O segundo indica uma ordem. Na advertência, se o primeiro evento se realizar, ordena-se a não realização da segunda ação.

Pergunte à classe em que gêneros textuais o modo imperativo aparece com frequência. Leve para a sala textos de diferentes gêneros como notícias, editoriais, horóscopo, boletim meteorológico, publicidade, receitas, regras de jogo e vá analisando com eles a possível ocorrência desse modo verbal em cada gênero. Solicite que os alunos escolham um desses gêneros e produzam um texto, usando verbos no imperativo.

2ª etapa

Inicie o trabalho com a correção da tarefa proposta na aula anterior.

Em seguida, leia o poema de José Paulo Paes.
Se essa rua fosse minha,
eu mandava ladrilhar,
não para automóvel matar gente,
mas para criança brincar.

Se esta mata fosse minha,
eu não deixava derrubar.
Se cortarem todas as árvores,
Onde é que os pássaros vão morar?

Se este rio fosse meu,
eu não deixava poluir.
Joguem esgotos noutra parte,
que os peixes moram aqui.

Se este mundo fosse meu,
eu fazia tantas mudanças
que ele seria um paraíso
de bichos, plantas e crianças.

PAES, José Paulo. Poemas Para Brincar. São Paulo: Ática, 2002.
Após a leitura, pergunte aos alunos se já conheciam o poema e se possuem alguma dúvida em relação ao seu conteúdo. Como é provável que façam alusão à cantiga popular, não perca a oportunidade de dizer a eles que as produções dos homens não nascem do nada, mas elas dialogam entre si. Nesse caso, fica evidente que o poeta buscou inspiração na cantiga popular, de autoria anônima. Peça que os alunos identificam, no poema de Paes, construções no modo subjuntivo e no modo imperativo. Lembre a eles que o subjuntivo vincula-se, de modo geral, a incertezas, possibilidades, hipóteses; e o imperativo liga-se a ordens, comandos, exortações, súplicas.

Dê um tempo para que possam pensar, discutir em dupla e anotar os trechos no caderno. Inicie a releitura do poema. Peça que uma dupla leia uma estrofe e a analise. Mostre que a hipótese proposta pelo primeiro versa de cada estrofe (se essa rua fosse minha; se essa mata fosse minha, se esse rio fosse meu, se esse mundo fosse meu) completa-se na afirmação subsequente (eu mandava ladrilhar, eu não deixava derrubar, eu não deixava poluir, eu fazia tantas mudanças). A repetição dessas construções nos versos iniciais de cada estrofe cria um paralelismo, característica importante na construção poética.

Não deixe de assinalar os versos Se cortarem todas as árvores, /Onde é que os pássaros vão morar? Neles, novamente, a ideia proposta pelo subjuntivo associa-se a outra. Embora as construções no passado predominem no poema, os dois versos remetem ao futuro.

Para finalizar a aula, assinale que, na advertência e no poema de Paes, sugere-se a ideia de condição por meio da partícula "se". Pergunte, então, aos alunos se o tempo dos verbos modo subjuntivo nesses dois textos é o mesmo. Dê um tempo para que respondam a questão. Em Se beber não dirija, há a dimensão do futuro, a ação não ocorreu, mas pode acontecer a qualquer momento. No poema de Paes, os dois primeiros versos de cada estrofe indicam uma suposição anterior ao momento da enunciação. No poema, estão também no passado os verbos associados ao Subjuntivo - mandava, deixava, fazia.

Veja se conseguiram identificar o uso do imperativo em Joguem esgotos noutra parte. Chame a atenção da classe para a mudança na pessoa - dirija (singular) e joguem (plural).

3ª etapa
Para essa aula, peça que os alunos tragam para a classe a gramática usada pelo grupo. Caso julgue necessário, escolha também trechos de outras gramáticas sobre os modos estudados nesse bloco de aulas. Leia com eles as abordagens relativas aos modos subjuntivo e imperativo. Faça uma síntese das caracterizações realizadas: anote-a no quadro e peça que os alunos a copiem. Consultem também os tempos simples do subjuntivo - presente, pretérito imperfeito e futuro.

Anote essa divisão e escolha um verbo de cada conjugação para que copiem as 1a, 2a. e 3a. pessoas do singular e as 1ª, 2ª e 3ª pessoas do plural no caderno nos três tempos simples do subjuntivo. É importante também a observação da constituição dos imperativos afirmativo e negativo. Utilize os verbos já escolhidos para mostrar o paradigma do modo subjuntivo e realize um esquema da constituição do imperativo. Mostre aos alunos que, no imperativo afirmativo, o tu e o vós são formados a partir do tu e do vós do presente do indicativo sem o s final. As demais pessoas são formadas a partir do presente do subjuntivo. No caso do imperativo negativo, a conjugação de todas as pessoas é a mesma do presente do subjuntivo.
4ª etapa
Inicie a aula apresentando aos alunos a crônica Meu ideal seria escrever, de Rubem Braga. Leia o texto para os alunos.
Meu ideal seria escrever...

Meu ideal seria escrever uma história tão engraçada que aquela moça que está doente naquela casa cinzenta quando lesse minha história no jornal risse, risse tanto que chegasse a chorar e dissesse - "ai, meu Deus, que história mais engraçada!" E então a contasse para a cozinheira e telefonasse para duas ou três amigas para contar a história; e todos a quem ela contasse rissem muito e ficassem alegremente espantados de vê-la tão alegre. Ah, que minha história fosse como um raio de sol, irresistivelmente louro, quente, vivo, em sua vida de moça reclusa, enlutada, doente. Que ela mesma ficasse admirada ouvindo o próprio riso, e depois repetisse para si própria - "mas essa história é mesmo muito engraçada!".

Que um casal que estivesse em casa mal humorado, o marido bastante aborrecido com a mulher, a mulher bastante irritada com o marido, que esse casal também fosse atingido pela minha história. O marido a leria e começaria a rir, o que aumentaria a irritação da mulher. Mas depois que esta, apesar de sua má-vontade, tomasse conhecimento da história, ela também risse muito, e ficassem os dois rindo sem poder olhar um para o outro sem rir mais; e que um, ouvindo aquele riso do outro, se lembrasse do alegre tempo de namoro, e reencontrassem os dois a alegria perdida de estarem juntos.

Que nas cadeias, nos hospitais, em todas as salas de espera a minha história chegasse - e tão fascinante de graça, tão irresistível, tão colorida e tão pura que todos limpassem seu coração com lágrimas de alegria; que o comissário do distrito, depois de ler minha história, mandasse soltar aqueles bêbados e também aquelas pobres mulheres colhidas na calçada e lhes dissesse - "por favor, se comportem, que diabo! eu não gosto de prender ninguém!" E que assim todos tratassem melhor seus empregados, seus dependentes e seus semelhantes em alegre e espontânea homenagem à minha história.

E que ela aos poucos se espalhasse pelo mundo e fosse contada de mil maneiras, fosse atribuída a um persa, na Nigéria, a um australiano, em Dublin, a um japonês em Chicago - mas que em todas as línguas ela guardasse a sua frescura, a sua pureza, o seu encanto surpreendente; e que no fundo de uma aldeia da China, um chinês muito pobre, muito sábio e muito velho dissesse: "Nunca ouvi uma história assim tão engraçada e tão boa em toda minha vida; valeu a pena ter vivido até hoje para ouvi-la; essa história não pode ter sido inventada por nenhum homem, foi com certeza algum anjo tagarela que a contou aos ouvidos de um santo que dormia, e que ele pensou que já estivesse morto; sim, deve ser uma história do céu que se filtrou por acaso até nosso conhecimento; é divina".

E quando todos me perguntassem - "mas de onde é que você tirou essa história?" - eu responderia que ela não é minha, que eu a ouvi por acaso na rua, de um desconhecido que a contava a outro desconhecido, e que por sinal começara a contar assim: "Ontem ouvi um sujeito contar uma história..."!

E eu esconderia completamente a humilde verdade: que eu inventei toda minha história em um só segundo, quando pensei na tristeza daquela moça doente, que sempre está doente e sempre está de luto e sozinha naquela pequena casa cinzenta de meu bairro.

BRAGA, Rubem. As Melhores 200 Crônicas Escolhidas de Rubem Braga. Rio de Janeiro: Record, 1977.
Após a leitura do texto, verifique se o compreenderam e se possuem alguma questão sobre ele. Peça que os alunos sublinhem no texto o uso do pretérito imperfeito do subjuntivo. Releia os trechos em que esse uso ocorre. Diga aos alunos que, como no caso do poema de José Paulo Paes, o uso do subjuntivo na crônica é acompanhado de outra forma verbal, o futuro do pretérito do modo indicativo.

Explique a eles que essa correlação - pretérito imperfeito do subjuntivo com o futuro do pretérito do indicativo - é tida pelas gramáticas mais tradicionais como a correta. Muitas gramáticas não aceitam a combinação realizada no poema de Paes - pretérito imperfeito do subjuntivo e pretérito imperfeito do indicativo -, embora na fala do brasileiro ela seja usada com frequência.

Proponha aos alunos duas atividades.

1) A reescrita do primeiro e do terceiro parágrafos da crônica de Rubem Braga, alterando o futuro do pretérito do indicativo pelo presente do mesmo modo e o imperfeito do subjuntivo pelo presente do subjuntivo. Inicie a construção e peça que a continuem.
Exemplo
Texto original Meu ideal seria escrever uma história tão engraçada que aquela moça que está doente naquela casa cinzenta quando lesse minha história no jornal risse, risse tanto que chegasse a chorar e dissesse...
Texto alterado Meu ideal é escrever uma história tão engraçada que aquela moça que está doente naquela casa cinzenta ao ler minha história no jornal ria, ria tanto que chegue a chorar e diga ...
2) Após a reescrita desses dois parágrafos, os alunos devem escrever um terceiro parágrafo em que deem continuidade à crônica, expondo qual é o seu ideal. O parágrafo pode começar assim:
Meu ideal é escrever uma história que ...

Os alunos podem começar as atividades em classe e terminá-las em casa.

5ª etapa
Reserve uma etapa à correção da tarefa e à leitura do parágrafo construído pelos alunos. Diga aos alunos que nas duas aulas seguintes vocês analisarão o modo imperativo.

6ª etapa
Escolha um folheto de ampla divulgação. Um exemplo é este, explicando os modos de evitar a propagação da dengue.
Grática
Antes de iniciar a leitura do folheto, pergunte aos alunos se sabem qual a finalidade dos textos presentes nesse suporte. Ouça as respostas. Caso não tenham conseguido explicitá-la, diga a eles que o folheto procura instruir a população a respeito de um determinado fato. O folheto busca atingir camadas variadas da população, usa linguagem clara e direta e recursos verbais e não verbais. Leia as instruções presentes no folheto.

Solicite aos alunos que leiam novamente o folheto e copiem no caderno os verbos que estão no modo imperativo. Ao copiar o verbo, peça que escrevam a forma do infinitivo correspondente a ele.

Peça que expliquem o motivo do uso do imperativo em folhetos como esse. Pergunte aos alunos qual pessoa do discurso o panfleto utiliza. Temos duas possibilidades: o tu e o você. O que nos permite identificar qual delas é usada é a desinência verbal associada a marcas como pronomes pessoais ou possessivos. No folheto, as desinências verbais indicam o uso da terceira pessoa - você - o que é reforçado pelo uso do se que nesse caso funciona como pronome.

O "tu" no Brasil, explicite, é um pronome pouco utilizado. Seu uso limita-se a localidades das regiões Sul e Nordeste. Ele foi substituído pelo senhor(a), pelo você. Como o folheto possui divulgação nacional e quer atingir de modo direto e claro a população, a forma utilizada - você - parece mais satisfatória.

7ª etapa
O texto abaixo faz parte do folheto da Pinacoteca do Estado de São Paulo. Leve-o para os alunos. Explique a eles o significado da palavra "pinacoteca" e afirme a importância do museu que possui obras representativas de vários artistas brasileiros. Dois exemplos são as obras Caipira Picando Fumo de Almeida Junior e Mestiço de Portinari. Caso você possua acesso ao folheto, leve-o para a classe e mostre-o aos alunos. Caso não possua, o texto pode ser colocado no quadro. Antes de apresentar o texto que será discutido, pergunte aos alunos qual a possível finalidade do folheto de um museu. Ouça-os.
Grática














Leia o texto do folheto. Veja se a hipótese que tinham sobre a finalidade dele comprovou-se ou não. Observe que, nesse caso, estabelecem-se as regras de comportamento no interior desse espaço e oferece-se uma justificativa para elas. O estabelecimento das regras ocorreu, no caso desse prospecto, pelo advérbio de negação - não - acompanhado do infinitivo. O infinitivo não flexionado coloca uma ordem que é válida para qualquer pessoa e tal como é usado assume características do imperativo.

Proponha aos alunos que reescrevam as ordens do folheto, substituindo o infinitivo pela forma correspondente do verbo no imperativo. Antes do início da realização do exercício, analise com eles a pessoa que deverão escolher - segunda ou terceira do singular. O uso do infinitivo possui como intuito apagar a pessoa do discurso para quem as ordens são dadas, mas pergunte aos alunos se em algum momento do texto há indícios da pessoa utilizada. Peça que releiam o texto e observem se encontram alguma marca dessa pessoa. Peça que discutam com um colega. Analise o texto anterior às regras. Nele encontra-se o pronome sua: esse remete à terceira pessoa do singular. Peça então que reescrevam o texto usando os verbos adequados. Durante a execução do trabalho, é interessante que tenham o caderno e a gramática disponíveis para consulta e resolução de eventuais dúvidas a respeito da conjugação verbal. Faça a correção da atividade.

Como atividade para casa, solicite que pesquisem em revistas ou jornais a presença do modo imperativo em propagandas direcionadas ao público infantil. Peça que copiem no caderno três frases em que esse uso ocorra. Peça também que elaborem uma pequena explicação para esse uso.

Avaliação
Proponha aos alunos que em trios elaborem um folheto explicitando o comportamento a ser adotado pelos usuários no interior da biblioteca da escola ou do município. A redação das regras deve utilizar o modo imperativo na terceira pessoa do singular - você.
Quer saber mais?
BANDEIRA, Rogério Braga. O Imperativo em Segunda Pessoa. Disponível em: http://static.recantodasletras.com.br/arquivos/1613498.doc

BECHARA, Evanildo. Moderna Gramática Portuguesa. Rio de Janeiro: Lucerna, 2001.
BRAGA, Henrique Santos. Desaparecimento da Flexão Verbal Como Marca de Tratamento no Modo Imperativo - um Caso de Variação no Português Brasileiro. Disponível em:
www.teses.usp.br/teses/disponiveis/.../HENRIQUE_SANTOS_BRAGA.pdf

BRAGA, Rubem. As Melhores 200 Crônicas Escolhidas de Rubem Braga. Rio de Janeiro: Record, 1977.
PAES, José Paulo. Poemas para Brincar. São Paulo: Ática, 2002.
PERINI, Mário A . Gramática do Português Brasileiro. São Paulo: Parábola, 2010.

Consultoria Conceição Aparecida Bento
Doutora em Letras

GRAMÁTICA COM TEXTO

FUTURO DO PRESENTE 6º ANO COM A CANÇÃO DE CAETANO VELOSO

http://revistaescola.abril.com.br/lingua-portuguesa/pratica-pedagogica/gramatica-6o-ano-futuro-presente-590478.shtml

Introdução
Esta é a terceira de uma série de 16 sequências didáticas que fazem parte de um programa de estudo de gramática para 6º a 9º ano do Ensino Fundamental. Confira ao lado todas as aulas da série.
Nesta sequência, o intuito é refletir sobre o uso do futuro do presente do modo indicativo. Como nas aulas anteriores, a ideia não é oferecer regras pura e simplesmente, mas permitir que os alunos observem a língua e seus usos, e conheçam o caráter dinâmico que a atravessa, modificando construções e modos de uso. Nem sempre, isso significa exclusão de uma das formas; muitas vezes, diferentes usos e formas coexistem, cabendo a quem fala ou escreve escolher uma delas de acordo com o contexto e os objetivos da comunicação.

Objetivos Analisar o uso do futuro do presente.
Reconhecer formas utilizadas na Língua Portuguesa para indicar o futuro do presente.

Conteúdo
Futuro do presente

Ano
6º ano

Tempo estimado
Cinco aulas

Material necessário Aparelho de som ou computador com caixas de som; gravação da música "Um índio", de Caetano Veloso; letra da música impressa; cópia de uma entrevista publicada em revista.
Desenvolvimento

1ª etapa
Inicie a aula tocando a música abaixo.
Um índio - Caetano Veloso
Um índio descerá de uma estrela colorida, brilhante
De uma estrela que virá numa velocidade estonteante
E pousará no coração do hemisfério sul
Na América, num claro instante
Depois de exterminada a última nação indígena
E o espírito dos pássaros das fontes de água límpida
Mais avançado que a mais avançada das mais avançadas das tecnologias

Virá
Impávido que nem Muhammad Ali
Virá que eu vi
Apaixonadamente como Peri
Virá que eu vi
Tranquilo e infalível como Bruce Lee
Virá que eu vi
O axé do afoxé Filhos de Gandhi
Virá

Um índio preservado em pleno corpo físico
Em todo sólido, todo gás e todo líquido
Em átomos, palavras, alma, cor
Em gesto, em cheiro, em sombra, em luz, em som magnífico
Num ponto equidistante entre o Atlântico e o Pacífico
Do objeto-sim resplandecente descerá o índio
E as coisas que eu sei que ele dirá, fará
Não sei dizer assim de um modo explícito

Virá
Impávido que nem Muhammad Ali
Virá que eu vi
Apaixonadamente como Peri
Virá que eu vi
Tranquilo e infalível como Bruce Lee
Virá que eu vi
O axé do afoxé Filhos de Gandhi
Virá

E aquilo que nesse momento se revelará aos povos
Surpreenderá a todos não por ser exótico
Mas pelo fato de poder ter sempre estado oculto
Quando terá sido o óbvio

Disponível em: http://www.caetanoveloso.com.br/sec_busca_obra.php?language=pt_BR&id=91&sec_discogra_todas Acesso em 18 ago. 2010-08-18
Terminada a audição, pergunte aos estudantes se entenderam o conteúdo da composição. Ouça o que dizem.

Após essa conversa inicial, dê aos alunos a letra da música. Peça que a leiam. Explicite quem são Muhammad Ali, Bruce Lee, o grupo Filhos de Gandhi e o personagem Peri mencionados na música. Leve para a classe um exemplar de O Guarani, de José de Alencar (1829-1877) e diga aos alunos que o índio foi um importante personagem na literatura brasileira, sobretudo no período denominado Romantismo. Cite os romances O Guarani e Iracema em que o índio se junta ao europeu para constituir a nação brasileira. Mostre aos alunos que a canção de Caetano também alude a elementos estrangeiros, entrelaçando-os à figura do índio. Toque novamente a canção para que possam acompanhá-la com a leitura da letra.

2ª etapa
Pergunte à classe quais tempos verbais simples - formados por um único verbo - aparecem na letra da canção. Peça que os assinalem na letra, separando os que indicam futuro daqueles que apontam para o passado e o presente. Faça a correção junto com eles.
Retome os verbos assinalados pelos alunos na música de Caetano Veloso. Discuta com eles o valor semântico dos verbos indicativos de futuro que aparecem na letra: eles assinalam uma ação vindoura e possuem caráter de certeza. Peça aos alunos que reescrevam no caderno a primeira e a terceira estrofes da canção, mudando "um índio" para "índios". Faça a correção e aponte a questão ortográfica que particulariza essa pessoa do discurso nesse tempo: a terminação "ão".

3ª etapa
Peça que a classe se reúna em duplas e entregue a cada uma um trecho de uma entrevista em que o verbo auxiliar ir no presente do indicativo acompanhado do de um verbo no infinitivo denote ideia de futuro (eu vou viajar, eles vão sair etc). Selecione a entrevista previamente.

Proponha que as duplas leiam os trechos da entrevista e observem como é a estrutura usada para dar a ideia de futuro. É a mesma construção que identificaram na letra da canção? O que muda? Qual delas é mais facilmente encontrada no cotidiano? Peça que discutam em dupla e registrem no caderno suas ideias e, em seguida, discuta-as coletivamente.

Explique aos alunos que o uso do futuro do presente na Língua Portuguesa predomina no registro escrito - como na letra da canção, por exemplo. Já no falado, como a entrevista, ele concorre com a forma constituída pelo uso do auxiliar ir seguido de verbo no infinitivo. Construa com os alunos algumas frases em que esse uso apareça. Escreva no quadro algumas frases e peça que a classe copie e transforme-as usando o tempo simples. Exemplos: Eu vou nadar hoje à tarde (Eu nadarei hoje à tarde). Nós vamos sair mais cedo da escola amanhã (Nós sairemos mais cedo da escola amanhã). Eles não vão acreditar no que fizemos ontem (Eles não acreditarão no que fizemos ontem).
Como tarefa de casa, proponha que procurem o uso do verbo ir no presente do indicativo seguido do infinitivo para denotar ação futura em histórias em quadrinhos. Peça que eles reproduzam no caderno a fala da personagem e a reescrevam, utilizando o futuro simples.

4ª etapaColoque no quadro o título da notícia publicada no jornal Folha de S.Paulo no dia 17 de agosto de 2010: Contato com Ets virá em 25 anos, afirma pesquisador americano. Peça aos alunos que identifiquem os tempos verbais que ocorrem nesse título.
Discuta com eles os dois tempos: o presente - "afirma pesquisador americano" - e o futuro - "contato com Ets virá em 25 anos". O primeiro verbo denota ação futura e o segundo, a ação presente. Nos dois casos, no entanto, não há traço de dúvida; as ações aparecem como certas.

Em seguida, peça aos alunos que escrevam, em duplas, manchetes à semelhança que leram, explicitando seus desejos. Exemplos: "Cura do câncer virá em um ano, confirma médico brasileiro"; "Fim da fome no mundo virá em seis meses, dizem autoridades internacionais" ou "Fim da exploração infantil virá em horas", afirma Pedro João, aluno do 6º ano da Escola X.

Peça que os alunos leiam os títulos que escreveram e aponte a eles as eventuais correções ortográficas e sugira a montagem de uma primeira página dos desejos da classe. Peça que escrevam os títulos em tiras de papel e colem-nas sobre uma folha de jornal, simulando as manchetes da primeira página. É interessante que façam a escolha de um título para o jornal: Folha do Futuro, O Nosso ideal será... É uma escolha, mas, você, professor, nas suas sugestões, pode sinalizar a dimensão do futuro, tema das produções e das aulas.

5ª etapa
Dê aos alunos o texto da notícia abaixo, publicada na Folha de S. Paulo.
Contato com ETs virá em 25 anos, afirma pesquisador americano
A humanidade pode encontrar uma forma de inteligência extraterrestre dentro dos próximos 25 anos, afirmou ontem o astrônomo Seth Shostak do Instituto Seti (sigla inglesa de "Busca por Inteligência Extraterrestre").

Shostak fez sua previsão durante uma conferência na sede do Seti em Mountain View, na Califórnia. "Jovens da platéia, acho que há uma chance bastante boa de que vocês vejam isso acontecer [durante suas vidas]", afirmou ele. A dificuldade, para o cientista, será entender a mensagem estelar.

A partir de 2015, um novo grupo de telescópios permitirá que o Seti procure sinais de rádio de centenas de milhares de sistemas estelares, o que facilitaria o primeiro contato com uma civilização alienígena avançada, apostou Shostak em conversa com repórteres do site Space. com.

Fonte: Folha de S. Paulo. 17 ago. 2010, A16.
Peça para que façam a leitura em dupla. Em seguida, peça que sublinhem, no texto, os verbos afirmou, fez, acho, há, será, permitirá, apostou. Peça que observem e escrevam no caderno se os verbos sublinhados indicam a manutenção de tempos constantes no título ou se acrescentam novos tempos verbais.

Durante a realização da atividade, circule pela classe e observe as discussões que realizam. Pare nos grupos com dificuldade e os auxilie.

Quando terminarem, releia o texto em voz alta e faça a correção da tarefa. Pare no primeiro parágrafo e mostre aos alunos as mudanças operadas: a afirmação do pesquisador mudou do tempo presente para o passado. Isso se explica, pois essa ação ocorreu no passado. O leitor faz a leitura do jornal no presente, tempo diferente daquele em que a afirmação do pesquisador se deu.

No segundo parágrafo, indique os três tempos verbais - o passado, o presente e o futuro. O parágrafo inicia-se com o tempo passado para remeter à afirmação do pesquisador; há a inserção do discurso direto construído com uso do tempo presente, há o verbo no passado - afirmou - e, finalmente, o futuro indicando uma das dificuldades do contato entre os humanos e os ETs.

No último parágrafo, observe o uso do futuro do presente - permitirá - e a ação pontual do pretérito perfeito - apostou. Caso os alunos já conheçam os tempos do pretérito e do presente, temas das aulas anteriores, reforce que o futuro remete a um tempo por vir e que o futuro do presente indica uma ação certa, em relação à qual não se coloca dúvida. Você pode realizar um quadro na lousa em que os verbos se dividam em passado, futuro e presente.

Terminada essa construção, volte ao texto e peça aos alunos que reflitam se a expressão pode encontrar no trecho "A humanidade pode encontrar uma forma de inteligência extraterrestre dentro dos próximos 25 anos" e se o verbo facilitaria, presente no último parágrafo, sugerem ideia de futuro e se possuem o mesmo valor semântico do verbo virá no título. Eles devem escrever a reflexão realizada no caderno.

Termine a aula com a correção da atividade. A expressão, no trecho, sugere uma ação futura, mas essa ação não possui a força do virá do título; para que isso ocorra, ela deveria ser substituída pelo verbo "encontrará". Do mesmo modo, o verbo facilitaria indica uma ação sobre a qual não incide o mesmo teor de certeza de virá. Diga a eles que esse verbo pertence a outra forma de futuro, o futuro do pretérito. Finalize a reflexão assinalando o recurso persuasivo utilizado na construção do título e da notícia. No título, o uso do presente do indicativo dá força à afirmação do pesquisador ao trazê-la para o momento da leitura e o verbo virá coloca como certo o contato com ETs. No primeiro parágrafo, a força da manchete é desconstruída com o uso da expressão pode encontrar: esta lança dúvida sobre o contato: ele passa de certeza a uma possibilidade.

Mencione que a notícia está na página de Ciências. Isso pode auxiliar na compreensão do uso do futuro - as pesquisas indicam probabilidades, muitas vezes tomadas como certezas - e da expressão pode ser, pois as pesquisas deixam um quê de incerteza no ar.

Avaliação

Reserve uma aula para a atividade avaliativa sobre o conteúdo. A atividade deve ser realizada individualmente. Entregue aos alunos o texto abaixo:
Carne do futuro pode ser artificial, diz cientista
VAGUINALDO MARINHEIRO
DE LONDRES

Se você gosta de carne, corra para uma churrascaria, porque renomados cientistas acreditam que em 40 anos não haverá suculentos bifes para todo mundo. Muitos terão de comer carne produzida em laboratório.

A advertência faz parte de uma série de 21 artigos científicos encomendados pelo governo britânico para projetar a situação alimentar do mundo em 2050. As conclusões: a população será de 9 bilhões de pessoas, e o consumo per capita de alimentos também crescerá, principalmente nos países em desenvolvimento.

Por isso, será necessário aumentar muito a produção de alimentos. Haverá competição por terra e por água, e o preço da comida vai subir. Nos últimos anos, a tecnologia ajudou. Técnicas de plantio, melhora nas sementes e controle de pragas aumentaram a produtividade.
Na pecuária, estudos genéticos, inseminações artificiais e redução de doenças fizeram os animais terem mais peso (30% a mais no caso das vacas desde 1960) e darem mais leite (30% a mais por vaca no mesmo período).

Chegará um momento, porém, em que preconceitos deverão ser deixados de lado. Aí entra a carne artificial, ou produzida em laboratório.

"A carne in vitro já se provou factível e pode ser produzida de uma forma mais saudável e higiênica que na pecuária atual", disse Philip Thornton, do Instituto Internacional de Pesquisas em Pecuária de Nairóbi, no Quênia.

Estudos sobre carne in vitro começaram há cerca de dez anos. Trata-se de retirar células de um animal vivo e fazer com que se reproduzam até virar tecido muscular. Em janeiro, europeus criaram carne de porco assim.

Curioso é que a discussão surja agora, quando o Reino Unido investiga se a carne de filhos de uma vaca clonada foi ao mercado sem aviso a autoridades e consumidores.
Para os cientistas, a necessidade poderá obrigar a população que hoje teme animais clonados a aceitar a carne produzida em laboratório.

Disponível em: http://www1.folha.uol.com.br/ambiente/784128-carne-do-futuro-pode-ser-artificial-diz-cientista.shtml. Acesso em 18 de ago. 2010.
Proponha as seguintes atividades.

1. A expressão pode ser presente no título está de acordo com as afirmações do texto a respeito da alimentação global em 2050? Justifique.
2. Reescreva o título da notícia de modo que ele indique certeza.
3. Realize o resumo da notícia, utilizando pelo menos três verbos no futuro do presente. O início do resumo deve ser o seguinte: Estudo britânico afirma que a população do planeta em 2050 será de 9 milhões de pessoas.
Quer saber mais?
Bibliografia
BECHARA, E. Moderna Gramática Portuguesa.Rio de Janeiro: Lucerna, 2001
HENRIQUES, A A T. Futuro do Presente Simples: um Fenômeno Gramático- Lingüístico. Disponível em: www.mackenzie.br/fileadmin/Graduacao/CCL/.../AdilaHenriques.pdf Acesso em 17 ago. 2010
KURI, A . Emprego dos Modos e Tempos Disponível em: www.filologia.org.br/abf/volume1/.../06.htm Acesso em 17 ago. 2010
LAUAND, J. O laboratório do Tio Patinhas. Disponível em http://www.jeanlauand.com/page58b.htm: Acesso em 17 ago. 2010
PERINI, M. A . Gramática do Português Brasileiro. São Paulo: Parábola, 2010.

GRAMÁTICA COM TEXTO

PRESENTE DO INDICATIVO    6° ANO  COM A POESIA DE DRUMOND


http://revistaescola.abril.com.br/lingua-portuguesa/pratica-pedagogica/gramatica-6o-ano-presente-indicativo-586926.shtml

Introdução
Esta é a segunda de uma série de 16 sequências didáticas que fazem parte de um programa de estudo de gramática para 6º a 9º ano do Ensino Fundamental. Confira ao lado todas as aulas da série.
Conteúdo
O Presente do Indicativo e seus usos.

Objetivos
Refletir sobre os usos do presente indicativo na língua portuguesa e propor aos alunos situações de produção em que esses usos ocorram.

Tempo estimado
Seis aulas

Ano 6º ano

Desenvolvimento
1ª etapa - O tempo presente no poema de Drummond
Inicie a aula pedindo que os alunos se reúnam em duplas. Em seguida, proponha que leiam dois textos: o poema Nota Social, de Carlos Drummond de Andrade, e o texto A Teia da Vida, de Darcy Ribeiro. Comente com a classe que os dois apresentam verbos no presente e peça que tentem explicar, com base nessa primeira leitura, os diferentes usos desse tempo verbal.
Nota Social Carlos Drummond de Andrade
1 O poeta chega na estação.
2 O poeta embarca.
3 O poeta toma um auto.
4 O poeta vai para o hotel.
5 E enquanto ele faz isso
6 como qualquer homem da terra,
7 uma ovação o persegue
8 feito vaia.
9 Bandeirolas
10 abrem alas.
11 Bandas de música. Foguetes.
12 Discursos. Povo de chapéu de palha.
13 Máquinas fotográficas assestadas.
14 Automóveis imóveis.
15 Bravos ...
16 O poeta está melancólico.
17 Numa árvore do passeio público
18 (melhoramento da atual administração)
18 árvore gorda, prisioneira
19 de anúncios coloridos,
20 árvore banal, árvore que ninguém vê
21 canta uma cigarra.
22 Canta uma cigarra que ninguém ouve
23 um hino que ninguém aplaude.
25 Canta, no sol danado.
26 O poeta entra no elevador
27 o poeta sobe
28 o poeta fecha-se no quarto.
29 O poeta está melancólico
ANDRADE, Carlos Drummond. Sentimento do Mundo. Rio de Janeiro: Record, 1998.
A Teia da Vida Darcy Ribeiro
A vida é uma teia intrincada em que cada ser se relaciona com muitíssimos outros, numa coexistência de complementaridade e interdependência. A forma mais geral dessa relação é chamada pirâmide de vida. Na sua base, ficam as plantas, que se alimentam de terra, de água, de ar e do solo, para vicejar. Acima delas ficam os animais herbívoros, como as vacas, os cavalos, os elefantes, os que comem enorme quantidade de vegetais, capins folhas, cascas, raízes, para construir e manter seus corpos. Mais acima, ficam os carnívoros, como as onças, que se alimentam da carne dos herbívoros.

Nós, seres humanos, confundimos tudo, porque somos onívoros, quer dizer, comemos tanto alface, como outras folhagens, como amendoim, coco, e ainda, e sobretudo, carne de peixe, de porco, de boi e de galinha. (...)

RIBEIRO, Darcy. Noções das Coisas. São Paulo: FTD, 1995, p. 40.
Dê um tempo para que a turma realize a atividade. Em seguida, peça que compartilhem suas observações. O que eles sabem sobre o tempo presente? Quando ele é usado? Com base nos conhecimentos apresentados pela classe, passe para uma análise conjunta do poema.

Certifique-se que os alunos compreenderam as situações nele apresentadas. Elas podem ser divididas em quatro: a chegada do poeta; a sua aclamação; o canto da cigarra que ninguém percebe; a ida do poeta para o quarto. Enumere os versos e assinale, no poema, os trechos correspondentes a cada situação.

Uma vez assegurada essa compreensão, discuta com os alunos o teor das ações do poeta nos versos 1, 2, 3 e 4 e nos versos 26, 27, 28. Nesses versos, embora o presente marque o instante de ocorrência das ações, elas possuem um caráter sucessivo: primeiro o poeta chega, depois embarca, vai para o hotel, entra no elevador, sobe. O eu lírico poderia ter apresentado essas ações no passado, mas escolheu o tempo presente. Essa escolha possui significados. Ela sugere a simultaneidade entre o evento e a narração, entre as ações do poeta e a apresentação delas. Essa simultaneidade, por sua vez, é recriada no momento da leitura; o leitor tem a impressão de visualizar a cena quando a lê. Isso dá a ela maior vivacidade.

Nos trechos que vão do verso cinco ao quinze e do verso dezessete ao vinte e cinco temos o povo ovacionando o poeta e o canto da cigarra. Essas ações são simultâneas às do poeta. O uso da expressão "enquanto isso" reforça a simultaneidade. Os versos 16 e o 29 mostram, por meio do emprego do verbo "estar", um estado do poeta que não se altera - a melancolia.

Para finalizar a abordagem do poema, assinale as oposições no seu interior. A primeira ocorre entre as ações dos homens e as da natureza - a cigarra e a árvore alheias ao rebuliço ocasionado pela chegada do poeta e os homens alheios à natureza; a multidão aclama o poeta e ninguém ouve o canto da cigarra. A segunda ocorre entre a alegria do povo e a melancolia do poeta. Essas oposições ganham força pelo uso do presente; um mesmo tempo une todas as ações.

2ª etapa - A reconstrução do poema de Drummond
Proponha aos alunos a realização de uma produção que imite o poema de Drummond. Nessa produção, eles devem apresentar, de modo fictício, a chegada de uma professora na sala de aula, captando as ações dela, dos alunos e de um terceiro elemento, que pode ser um elemento da natureza (o pardal no pátio, o vento nas árvores, o sol no céu) ou humano (a faxineira varrendo, as crianças fazendo educação física ou brincando no pátio). O importante é que todas as ações estejam no presente e que ocorra a simultaneidade entre as ações da professora, dos alunos e do terceiro elemento. A produção deve ser feita em dupla e lida para o grupo classe. Assinale no decorrer da leitura os aspectos envolvidos no uso do tempo presente: a narração de ações lineares como instantâneas, sugerindo vivacidade, e a simultaneidade das ações da professora, as dos alunos e as do elemento externo.

Pergunte aos alunos se eles conhecem outros usos para o tempo presente. Para a próxima aula, peça que tragam o livro de Ciências.

3ª etapa - O presente nos textos científicos
Inicie a aula com retomando o texto "A Teia da Vida". Peça que a turma releia-o.

Após a leitura, observe se os alunos compreenderam o trecho. Discuta com eles o objetivo do texto: explicar o que é a teia da vida, ou seja, a cadeia alimentar e definir o que são herbívoros, carnívoros e ovíparos. Releia o texto e vá sublinhando com os alunos a ocorrência dos verbos no presente. Terminada a leitura, peça para que procurem explicar esse uso no texto de Darcy Ribeiro. Dê um tempo para que discutam em dupla e para que anotem a possível explicação no caderno. Ouça o que responderam e, caso não tenham chegado à conclusão correta, explique que, nesse caso, as afirmações do texto têm caráter de verdade científica e o pressuposto é que sejam válidas independente do tempo; por isso o uso do presente.
Escolha um trecho do livro de Ciências em que o mesmo procedimento ocorra e leia-o, marcando o uso do presente. Pode ser um trecho já estudado ou ainda a ser investigado.

Como exercício proponha a seguinte atividade. Entregue aos alunos uma notícia sobre algum fato inusitado - relatos sobre a descoberta de objetos voadores não identificados, a história do ET de Varginha, o chupa-cabras, entre outros - e proponha que eles aproveitem as informações contidas na reportagem como se fossem fatos reais e produzam um parágrafo de um texto científico. Por exemplo: "os chupa-cabras são animais que habitam e região do Mato Grosso...". A turma deve utilizar o tempo verbal que caracteriza a apresentação de verdades científicas. Ao final, peça que alguns alunos leiam as suas produções.

4ª etapa - O presente nas manchetes de jornal
Leve para a sala de aula alguns jornais do dia. Escolha algumas manchetes redigidas no presente e as escreva na lousa. Eleja manchetes de cadernos variados - esportes, entretenimento, cotidiano, política. Peça aos alunos que as copiem. Pergunte a eles o motivo do uso do presente nesse caso dado que as notícias se referem a fatos já ocorridos. Aqui, novamente, aparece o papel da ênfase. A manchete no presente causa mais impacto, pois traz o fato para o momento da leitura. Faça alusão ao poema de Drummond analisado na primeira aula dessa sequência.

Como exercício, selecione algumas pequenas notícias, suprima os seus títulos e peça aos alunos que os reconstituam, usando o tempo passado e o presente. Escolha notícias de caráter científico, tecnológico, abordagens de saúde ou direitos do cidadão. A turma vai perceber a diferença de ênfase no uso de cada tempo verbal: a manchete no presente produz um impacto maior no leitor, pois traz a notícia para o momento atual; a manchete no passado coloca uma distancia entre o que é afirmado e o momento da leitura.

Como tarefa para casa, peça que assistam a um telejornal e anotem três chamadas que estejam no presente. Discuta com eles a diferença entre uma chamada no tempo passado e outra no presente.

5ª etapa - Outros usos do presente
Retome a tarefa proposta aos alunos. Ouça as manchetes que anotaram e discuta os usos do presente em cada uma delas.

Feito isso, aponte à turma outros usos do presente.

1- Uso do presente para indicar ação futura. Nesse caso, é comum que o verbo venha acompanhado de um elemento sinalizador do futuro, como um advérbio. Amanhã eu vou à escola.
2- Uso do presente para indicar ações habituais: Eu acordo e almoço cedo todos dias.

3 - Um outro caso indica expressão que tem sentido de tempo presente:

Verbo estar mais gerúndio: expressão comum na oralidade para indicar ação simultânea à fala. Estou trabalhando há muito tempo.

Com a classe, construa um pequeno texto que sintetize os vários usos do presente discutidos em classe. Caso o grupo tenha uma gramática indicada para estudo, leia com eles as observações a respeito do presente do Indicativo após a realização da síntese do grupo. Você pode também selecionar trechos de uma outra gramática para essa leitura.

Avaliação
Nessa aula, realize exercícios individuais para avaliar a aprendizagem dos alunos. Dê a eles vários provérbios acompanhados de um texto explicando o que são provérbios. Pergunte por que os provérbios são redigidos no presente e por que o texto em que são explicados também está no tempo presente.
Quer saber mais?
Bibliografia
BECHARA, E. Moderna Gramática Portuguesa.Rio de Janeiro: Lucerna, 2001.
ANDRADE, C. D. Sentimento do Mundo. São Paulo: Record, 1998.
GERHARDT, A . F. L. M. A Expressão do Tempo Verbal em Português como um Desafio ao "culto à palavra". Disponível em: www.gel.org.br/...estudos.../4publica-estudos-XXXIII-2004.pdf Acesso em: 9 ago 2010.
PERINI, M. A . Gramática do Português Brasileiro. São Paulo: Parábola, 2010.
RIBEIRO, D. Noções das Coisas. São Paulo: FTD, 1995.

Consultoria Conceição Aparecida Bento
Doutora em Letras pela Universidade

segunda-feira, 29 de outubro de 2012

GRAMÁTICA NO TEXTO

PLANO DE AULA COM AS CONJUNÇÔES

http://revistaescola.abril.com.br/lingua-portuguesa/pratica-pedagogica/gramatica-textos-611249.shtml

1. Em destaque, as conjunções
Depois da leitura e da análise do artigo à direita, Patricia elegeu conjunções coordenativas e subordinativas presentes nele. "É mais fácil aprendê-las ao mesmo tempo do que separadas." Ela destacou apenas as que julgou serem familiares aos alunos e recorrentes em suas produções.


Troque os termos destacados por outros.

Quando Termina a Adolescência?

(...) Agora as crianças já começam a se comportar como adolescentes muito tempo antes de a puberdade se manifestar e continuam se comportando e vivendo assim por muito mais tempo. Mas essa fase tem de terminar perto dos 20 anos.

(...) Qual a diferença entre o adulto e o adolescente? Justamente essa: o adolescente ainda está a caminho de ter autonomia sobre sua vida. Os pais, mesmo que à distância e discretamente, ainda tutelam os passos do filho adolescente, e não sem razão. É que, para estes, ainda é prioritário e natural pensar primeiro no tempo presente, no prazer, na diversão, e só depois - às vezes tarde demais - nas consequências que suas atitudes e comportamentos podem provocar...

(...) Situações desse tipo não faltam numa sociedade que trata seus cidadãos de modo infantilizado e os faz acreditar - e muitos acreditam - que isso é feito para o bem-estar deles. Por isso, é bom que pais e educadores pensem com carinho na educação que praticam: para que crianças e adolescentes atinjam a vida adulta é preciso que sejam tratados de modo coerente e sejam responsabilizados, pouco a pouco, por aquilo que são capazes de arcar.

Fonte blogdaroselysayao.blog.uol.com.br/arch2007-05-16_2007-05-31.html. Publicado em 22/5/2007


Termos com o mesmo sentido
Após a substituição das palavras marcadas por outras, como as relacionadas à direita, todos discutiram se as produções tinham preservado o sentido original. Veio, então, a questão: "Considerando o aspecto gramatical, o que essas palavras têm em comum?" Só depois de ouvir as respostas, a professora disse que a conjunção é uma classe gramatical e apresentou exemplos. Para explicar a função que ela exerce no texto, aproveitou a fala dos estudantes.


Mas = Contudo
Mesmo que = Embora
E = Mas também
Por isso = Portanto

Mas = Entretanto
Mesmo que = Desde que
E = Seja
Por isso = Portanto

2. Na gramática, outros exemplos
Como tarefa para casa, a professora pediu que os alunos fizessem uma pesquisa sobre as conjunções em uma gramática. Na aula seguinte, eles confrontaram a tarefa com as hipóteses e observações levantadas anteriormente e se admiraram com a quantidade de exemplos encontrados. A professora explicou que não era necessário decorar todas nem mesmo classificá-las de forma rígida. O importante, ela avisou, era compreender a acepção que apresentavam no texto e apresentou diferentes trechos em que as conjunções apareciam.

3. A função no texto A turma já conhecia vários tipos de conjunção, mas precisava refletir mais sobre seu uso. Patricia propôs atividades em que era preciso identificá-las, indicar o(s) sentido(s) delas ou substituí-las mantendo o sentido, como no poema à direita. Durante a correção, ela perguntou se o "e" em destaque tinha o sentido de adição. Todos entenderam a quebra de expectativa que o "e" traz ao poema, pela ideia de adversidade. Depois, analisaram outros textos para determinar a função dessa conjunção.


Leia o poema de Millôr Fernandes a seguir e escreva qual o sentido da conjunção "e" destacada. Explique.

Poeminha Tentando Justificar Minha Incultura

Ler na cama
É uma difícil operação
Me viro e me reviro
E não encontro posição.
Mas se, afinal,
Consigo um cômodo abandono,
Pego no sono


O "e" tem o sentido de mas e não de adição.
4. Diferentes sentidos
Depois de ler os versos da canção à direita, os alunos responderam que a conjunção "como" traz o significado de comparação. A professora explicou que ela também pode aparecer como conjunção causal. Na gramática, eles verificaram que, quando dois elementos coordenados, num processo de correlação, aparecem iniciados pela conjunção "ou", eles obrigatoriamente se excluem. No trecho da canção, verificaram que o sentido de exclusão também pode aparecer com a presença de apenas um "ou".


Indique o sentido das conjunções destacadas deste trecho da canção Roda Viva, de Chico Buarque de Hollanda.

Tem dias que a gente se sente
Como quem partiu ou morreu
A gente estancou de repente
Ou foi o mundo então que cresceu


O "como" mostra a comparação entre duas coisas e o "ou" dá a ideia de exclusão.
 


GRAMÁTICA COM TEXTOS:

 
FÁBULAS AJUDAM A EXPLICAR OS DIFERENTES PRETÉRITOS---6°ANO : PRETÉRITO FERFEITO E IMPERFEITO. COM FÁBULAS

 http://revistaescola.abril.com.br/lingua-portuguesa/pratica-pedagogica/serie-gramatica-6o-ano-preterito-perfeito-imperfeito-584544.shtml
 
 
Introdução
Esta é a primeira de uma série de 16 sequências didáticas que fazem parte de um programa de estudo de gramática para 6º a 9º ano do Ensino Fundamental. Confira ao lado todas as aulas da série.
Objetivos
Reconhecer o uso dos tempos verbais no texto;
Analisar os usos do pretérito perfeito e do pretérito imperfeito.

Conteúdo
Tempos verbais do passado - pretérito perfeito e pretérito imperfeito.

Tempo estimado Três aulas

Ano
6º ano

Desenvolvimento

O trabalho a ser desenvolvido nas aulas apresentadas abaixo permite que os alunos reflitam sobre o uso de pretérito perfeito e imperfeito e sistematizem alguns conhecimentos a respeito deles. A escola deve ser um lugar de reflexão sobre a língua e de investigação. Ela não deve apenas oferecer regras, mas propiciar aos alunos que pensem sobre os usos e potencialidades da língua em situações de leitura e de produção de textos. Dessa forma, o ponto de partida do trabalho é a língua e seus usos e não a aplicação de regras dadas a priori.

1ª etapa Leia com os alunos a fábula O Urso e as Abelhas.
O Urso e as Abelhas
Um urso topou com uma árvore caída que servia de depósito de mel para um enxame de abelhas. Começou a farejar o tronco quando uma das abelhas do enxame voltou do campo de trevos. Adivinhando o que ele queria, deu uma picada daquelas no urso e depois desapareceu no buraco do tronco. O urso ficou louco de raiva e se pôs a arranhar o tronco com as garras na esperança de destruir o ninho. A única coisa que conseguiu foi fazer o enxame inteiro sair atrás dele. O urso fugiu a toda velocidade e só se salvou porque mergulhou de cabeça num lago.

Moral: Mais vale suportar um só ferimento em silêncio que perder o controle e acabar todo machucado.

Fábulas de Esopo. Tradução Heloisa Jahn, Companhia das Letrinhas, 1994, p. 24.
Pergunte a eles em que tempo se passa essa fábula, se no passado, no presente ou no futuro. Quando disserem que é no passado, diga a eles que, em Língua Portuguesa, existem vários tipos de passados e que o objetivo desse grupo de aulas é analisar o uso de duas dessas formas.

Retire da fábula as formas simples do passado - pretérito perfeito e pretérito imperfeito. Escreva-as no quadro:
topou
servia
começou
voltou
queria
deu
desapareceu
ficou
pôs
conseguiu
fugiu
salvou
mergulhou

Peça que os estudantes releiam a fábula e reflitam sobre os verbos identificados. Pergunte se esses verbos exprimem o passado da mesma forma. Vá repassando os termos que estão escritos no quadro. O primeiro verbo é "topou". Discuta com a turma o valor semântico dessa ação, que assinala, no interior da narrativa, uma atividade iniciada e acabada. O segundo verbo é "servia". Pare nesse verbo e indague se ele também expressa uma ação no interior da narrativa, indicativa de uma ação pontual, iniciada e concluída, ou se ele pressupõe uma duração que se prolonga por um tempo quando outra ação se realiza.

Caso não consigam chegar a uma conclusão, pergunte qual seria a forma da ação iniciada e concluída desse verbo. Escreva então num canto do quadro as palavras "serviu" e "servia". Construa duas orações com esses verbos e indague-os sobre a diferença entre elas. Anote no quadro as duas orações e a explicação sobre a diferença de significados. Peça que eles as copiem.

Repasse os outros verbos. O paradigma muda em "queria". Novamente, atente para a diferença de sentido desse verbo, que indica a manutenção, no tempo passado, de um desejo. Como no caso do verbo "servir", escreva duas orações uma com a forma "quis" e outra com a forma "queria". Levante com os alunos as diferenças de significado e as escreva no quadro. Peça que copiem as orações e as explicações.

Ao final da aula, monte um quadro síntese em que se distingam os verbos que indicam uma ação já concluída e os dois que indicam ações que se mantiveram por um tempo indefinido no passado.

2ª etapa
Inicie a aula retomando os aspectos já vistos na aula passada. Faça os alunos lembrarem que há ações no passado que são pontuais, marcam atividades iniciadas e acabadas, e outras que se mantêm por certo período.

Peça aos estudantes que sublinhem no texto as formas "começou a farejar", "se pôs a arranhar" e o trecho "a única coisa que conseguiu foi fazer o enxame inteiro sair atrás dele". Faça-os perceber que, nesses trechos, são utilizadas expressões em que há mais de um verbo. Solicite que os aluno, em duplas, reescrevam a fábula, transformando as expressões presentes nesses trechos em um verbo no pretérito perfeito ou no pretérito imperfeito.

Eles devem manter o sentido do texto, mas podem realizar modificações na sua construção.
Dê um tempo para que realizem a atividade e observe como o trabalho se desenrola nas duplas. Após o tempo estipulado, resgate o trabalho coletivamente. Observe as construções feitas, anote no quadro as possibilidades e as discuta.

Dê aos alunos uma nova fábula e peça que eles a leiam e identifiquem os verbos que indicam ações já ocorridas e terminadas e aquelas que possuem certa duração no passado.
Após essa identificação, peça que eles façam uma tabela distinguindo esses verbos.

3ª etapa
Faça a correção da atividade proposta na aula anterior. Retome os aspectos analisados nas duas primeiras aulas. Escreva no quadro os nomes dos tempos do pretérito do indicativo estudados: pretérito perfeito e imperfeito.

Escolha, junto com os alunos, seis verbos que indiquem ações do cotidiano. Anote-os no quadro e proponha que a turma escreva as conjugações corretas de cada verbo na primeira e terceira pessoas do singular e na primeira e terceira pessoas do plural para os dois tempos do pretérito. Nesse momento, o uso da gramática é indicado. Certamente, eles encontrarão nela menção à conjugação dos verbos regulares e exemplos dos verbos irregulares.

Exemplo:
Verbo andar
Pretérito perfeito: eu andei, ele andou, nós andamos, eles andaram.
Pretérito imperfeito: eu andava, ele andava, nós andávamos, eles andavam.

Informe aos alunos a existência do terceiro tempo do pretérito - o mais que perfeito. Indique o valor semântico desse tempo e diga a eles que o seu uso está associado, sobretudo, a textos escritos.
Diga aos alunos que, no caso da fábula O Urso e as Abelhas, o uso do pretérito imperfeito indica a manutenção de uma ação no passado que é concomitante a outra ação passada, mas essa forma do pretérito também pode indicar ações habituais no passado.

Para finalizar, peça aos alunos que construam um pequeno comentário das duas fábulas lidas. Nesse comentário, eles devem usar verbos no pretérito perfeito e imperfeito. Peça a eles que assinalem esses verbos e elaborem uma explicação para o uso que fizeram.
http://www.facebook.com/ivanete.oliveira.773

terça-feira, 23 de outubro de 2012

Quais são os benefícios da leitura?



     Segundo o Ministério da Educação (MEC) e outros órgãos ligados à Educação, a leitura:

1- Desenvolve o repertório: ler é um ato valioso para o nosso desenvolvimento pessoal e profissional. É uma ...
forma de ter acesso às informações e, com elas, buscar melhorias para você e para o mundo.

2- Liga o senso crítico na tomada: livros, inclusive os romances, nos ajudam a entender o mundo e nós mesmos.

3- Amplia o nosso conhecimento geral: além de ser envolvente, a leitura expande nossas referências e nossa capacidade de comunicação.

4- Aumenta o vocabulário: graças aos livros, descobrimos novas palavras e novos usos para as que já conhecemos

5- Estimula a criatividade: ler é fundamental para soltar a imaginação. Por meio dos livros, criamos lugares, personagens, histórias

6- Emociona e causa impacto: quem já se sentiu triste (ou feliz) ao fim de um romance sabe o poder que um bom livro tem.

7- Muda sua vida: quem lê desde cedo está muito mais preparado para os estudos, para o trabalho e para a vida.

8- Facilita a escrita: ler é um hábito que se reflete no domínio da escrita. Ou seja, quem lê mais escreve melhor.

Literatura naEscola-6°Ano: A Narrativa de Graciliano Ramos

Introdução
Esta é a segunda de uma série de 16 sequências didáticas que formam um programa de leitura literária para o Ensino Fundamental II. Veja, ao lado, o conteúdo completo.

Objetivos
Estimular o gosto pela leitura;
Desenvolver a competência leitora;
Desenvolver a sensibilidade estética, a imaginação, a criatividade e o senso crítico;
Estabelecer relações entre o lido / vivido ou conhecido (conhecimento de mundo);
Conhecer / exercitar alguns elementos básicos da narrativa;
Discutir relações de diferença / discriminação.

Conteúdos
Elementos da narrativa: narrador, enredo, personagens, tempo, espaço e tipos de discurso;
Conceitos de real e imaginário;
Conceitos de Diferença, Tolerância, Preconceito e Discriminação.

Tempo estimado

Cinco aulas

Ano
6º ano

Material necessário

Livro A terra dos meninos pelados. Graciliano Ramos, 88 págs, Editora Record, tel (21) 2585 2000, preço 24,90 reais.

Desenvolvimento

1ª etapa: Antecipação/ Sensibilização
Pergunte aos alunos se eles já ouviram falar de Graciliano Ramos (1892-1953) e se eles conhecem alguma obra que ele publicou. Conte à turma que, quando o escritor alagoano decidiu produzir livros para crianças, já era um nome conhecido na literatura brasileira e havia publicado duas importantes obras adultas: São Bernardo, de 1934 e Angústia, de 1936.

Explique à classe que, em 1937, Graciliano Ramos resolveu concorrer a um prêmio literário proposto pelo Ministério da Educação e inscreveu uma história não muito longa e bastante original, chamada "A terra dos meninos pelados", que será lida pela turma nas próximas aulas. A narrativa foi a vencedora, mas não contou com muitos apreciadores na época.

Em seguida, peça que os alunos leiam os dois primeiros capítulos do livro e discuta com eles o conflito vivido pela personagem principal. Raimundo era diferente dos outros meninos? Como? Por que os outros meninos mangavam dele? Pergunte se a classe concorda com a atitude dos outros meninos e como acham que Raimundo se sentia. Discuta a ideia de preconceito e respeito às diferenças.

2ª etapa: análise dos dois primeiros capítulos - tipos de discurso
Peça que os alunos observem que, nos capítulos 1 e 2, poucas vezes a personagem principal fala. Questione a classe sobre o motivo dessa ausência de voz. Em seguida, pergunte se nesses capítulos predomina o discurso direto ou indireto (lembre a turma dos conceitos aprendidos na primeira sequência didática desta série, sobre o livro "Rick e a girafa", de Carlos Drummond de Andrade). Peça que transcrevam as ocorrências do discurso predominante.

Observe que Raimundo fala pela primeira vez apenas no capítulo 2: "- Era melhor que me deixassem quieto, disse Raimundo baixinho." Pergunte à moçada por que ele demora a falar? Por que fala "baixinho"? O que essa fala revela?

Para a aula seguinte, peça que os alunos leiam o 3º capítulo do livro.

3ª etapa: Análise do 3º capítulo - tipos de discurso e foco narrativo
Retome os dois primeiros capítulos de "A terra dos meninos pelados", e comente com a turma que, neles, predomina a voz do narrador:

- "Havia um menino diferente dos outros meninos".
- "Um dia em que ele preparava com areia molhada a serra de Taquaritu e o rio das Sete Cabeças, ouviu gritos dos meninos escondidos por detrás das árvores..."

Comentar que, a partir do capítulo 3, começa a aparecer mais intensamente a voz de Raimundo e peça que os alunos arrisquem uma interpretação. Por que isso ocorre?

Uma possível explicação é que, a partir do momento em que Raimundo transfere-se para o mundo imaginário, diminui a aparição do narrador em 3ª. pessoa. Isso não quer dizer que, de uma hora para outra, a história muda de foco narrativo (retomar o conceito de foco narrativo discutido na leitura de "Rick e a girafa"). Pelo contrário, o narrador continua seguindo a trajetória de Raimundo, só não interfere em momento algum com descrições, comentários, explicações, deixa Raimundo dialogar, conviver com seus novos amigos sem a presença de um adulto ou voz autoritária. Por esse motivo o discurso direto permeia toda a história.

4ª etapa: O real e o imaginário
Peça que os alunos respondam por escrito:

1- No capítulo 3, Raimundo resolve momentaneamente o seu problema. Para onde Raimundo vai?

2- Essa viagem é mágica? Justifique.

3- No mundo imaginário, não se busca a lógica dos fatos, nem a realidade concreta, lá tudo é possível e todas as coisas podem acontecer. Como é a terra dos meninos pelados? Descreva-a.

4- No mundo imaginário, por mais iguais que as crianças sejam, ainda assim, mantêm diferenças que as distinguem. Que diferenças são essas? Retire do texto fragmentos que comprovem sua resposta.

5- Durante toda a narrativa, Raimundo tem consciência da realidade. Considera a terra imaginária excelente para se viver, mas sabe que deve voltar para a realidade. Retire do texto fragmentos que indicam lembranças que ele tem do mundo real.

Peça que os alunos leiam em casa os demais capítulos do livro.

5ª etapa: diferença e discriminação
Discuta oralmente com a classe os seguintes pontos:

1- Logo que Raimundo vê as crianças, algo semelhante ao mundo real lhe acontece. O que acontece? Como Raimundo reage?

2- Sardento propõe a Raimundo um plano. Que plano é esse?

3- O que Raimundo acha desse plano? Qual o conselho ele dá ao amigo?

4- A atitude de Raimundo é contrária à que toma no mundo real? Por quê?

5- O nome "Raimundo" significa "protetor" ou "sábio". Indica uma pessoa que tende a se isolar, pois é muito rigorosa consigo mesma e supervaloriza as virtudes e opiniões dos outros. Porém, quando essa pessoa se conscientiza de sua própria importância, torna-se capaz de dar apoio e conselhos valiosos a todo mundo. Tendo como base a informação sobre o nome "Raimundo", você considera coerente com a atitude da personagem principal, no momento em que ela orienta Sardento?

6- No capítulo 11, os novos amigos de Raimundo querem lhe dar outro nome: "Mundéu" ou "Pirundo". Por qual motivo Raimundo não deseja trocar seu nome?

7- "Raimundo diz para Sardento que o fato de ele ter sardas na pele não muda nada, já que todos o amavam". Essa atitude revela um amadurecimento de Raimundo?

8- A terra dos meninos pelados, segundo a estudiosa Regina Zilberman, pode ser julgada como um texto politicamente correto, ao falar de pessoas perseguidas pelos preconceitos da sociedade, que sabem dar volta por cima, não por se adaptarem aos valores predominantes, mas por se aceitarem como são. Vocês concordam com a opinião da autora? Considera que Raimundo volta para a realidade mais forte para encarar os preconceitos?

Avaliação
Em uma aula, individualmente e com consulta ao livro, entregue questões que contemplem os elementos trabalhados anteriormente (tipos de discurso, narrador, realidade/imaginação e diferença/discriminação) e peça que os alunos respondam por escrito.

Quer saber mais?
Bibliografia
- A terra dos meninos pelados. Graciliano Ramos, 88 págs, Editora Record, tel (21) 2585 2000, preço 24,90 reais.
- Como e por que ler a literatura infantil brasileira. Regina Zilberman, 184 págs, Editora Objetiva, tel (21) 2199-7824, preço 36,90 reais
 

domingo, 21 de outubro de 2012

 www.itau.com.br/itaucrianca

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Itaú - Sala de espera

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quinta-feira, 11 de outubro de 2012

VOCÊ NA CAPA NOVA ESCOLA


COMO CONTAR HISTÓRIAS ?????

Como contar histórias?


Principles of Story Telling, Barry McWilliams

Traduzido e publicado com autorização do autor.

Passe segurança! Não se desculpe ao começar, nem em palavras nem com uma expressão corporal encurvada.

Conte em suas próprias palavras. Deixe a imaginação funcionar - isto é o que cria mágica e não malabarismos da memória.

Se der branco, continue. Não...faça caretas, chingue nem desculpe-se. Continue descrevendo detalhes de cores, locais.. isto estimula a imaginação e ajuda a memória. Ou então faça uma pausa, olhando todos nos olhos, como para levantar suspense (não olhe para o chão). Improvise!

Mantenha as histórias até 10 minutos de extensão. Ensaie e cronometre.

A introdução é crucial. Você vai ganhar ou perder nos 3 primeiros minutos dependendo de como você começa.

Você tem que criar sua audiência no grupo de crianças, cada uma com seus próprios pensamentos e focos de atenção, antes que você possa começar a contar uma história para elas. Deve haver, na introdução, o indício de que coisas excitantes irão acontecer, incitando a curiosidade, unindo as crianças em antecipação. Não dê tudo na introdução. Sempre mantenha um certo nível de mistério, antecipação e surpresa durante toda a história.

Nós adultos tendemos a subestimar a capacidade das crianças de imaginar e fantasiar, e assim, muitas vezes fazemos muitos esforços para esplicar ou justificar o cenário, ou explicar tudo com detalhes. Na verdade, o que atrai as crianças é a possibilidade de entender os aspectos implausíveis da história depois; o que é ótimo, você tem a atenção delas e elas ficarão pensando no que você disse.

Para contar histórias você precisa de um pouco de habilidade em vendas, sinceridade (não tente fingir alegria, tristeza, etc.. seja verdadeiro!), entusiasmo (não significa ser barulhento ou articificial), animação (em gestos, voz, expressão facial) e mais importante, ser você mesmo.

Nós queremos que a mensagem chege clara e bem definida. Nosso objetivo é comunicar as verdades da Bíblia de uma maneira pessoal e com uma aplicação clara. Seja qual for a maneira que você conte a história, tenha certeza de ser objetivo! Não assuma que as crianças vão entender. Torne a história o mais real possível. Não conte a história de uma maneira cansada ou mal resumida. Pule dentro da narrativa, com a mesma intensidade que os fatos... escolha UM ponto e conte-o como se fosse a notícia mais interessante do mundo.

Mantenha simples e direto.

Uma vez terminada a história, não fique divagando e corrigindo. Deixe os pensamentos das crianças presos no ponto da história, na mensagem central.

Quanto mais você praticar, melhores ficarão as suas técnicas. Teste diferentes métodos, seja criativo. Você sempre aprende com suas experiências. Não seja extremamente tímido ou preocupado "com o que os outros irão dizer se...". Não tenha medo de ser um palhaço ou fazer papel de bobo para Cristo e para as crianças. Humildade, amor e oração são elementos importantes para contar histórias, juntamente com criatividade e inovação. As crianças pegam muito mais do que a história de você; elas percebem o seu entusiasmo pessoal com a mensagem. Elas precisam ver que você foi tocado pela Palavra. Prepare o seu coração enquanto prepara a história.

Tenha certeza de colocar algum drama, suspense na história. Deve haver uma situação que dirija ao climax e ao final da história. O conflito pode ser introduzido imediatamente ou aos poucos para aumentar o suspense e a intriga. Tente levar os ouvintes a se preocupar junto com os personagens e se envolver com o que acontece.

O professor deve estudar a lição muito bem. Você precisa saber muita coisa para poder ensinar um poquinho.

Crianças aprendem com seus sentidos. Elas adoram sentir, cheirar, tocar, escutar e ver. Descreva personagens e locais vividamente, ajudando-os a solidarizar-se com os personagens.

Numa audiência mista, tente colocar a história ao nível do mais novo.



Características de uma