sábado, 12 de janeiro de 2013

PLANO DE LEITURA: A TERRA DOS MENINOS PELADOS DE GRACILIANO RAMOS





 Objetivos
Estimular o gosto pela leitura;
Desenvolver a competência leitora;
Desenvolver a sensibilidade estética, a imaginação, a criatividade e o senso crítico;
Estabelecer relações entre o lido / vivido ou conhecido (conhecimento de mundo);
Conhecer / exercitar alguns elementos básicos da narrativa;
Discutir relações de diferença / discriminação.
EXPECTATIVAS DE APRENDIZAGEM:
Relacionar a obra a seu contexto de produção ;
Recuperar as características que compõem  a descrição de cenários , épocas e personagens;
Interpretar o ponto de vista das personagens e do narrador.

Conteúdos
Elementos da narrativa: narrador, enredo, personagens, tempo, espaço e tipos de discurso;
Conceitos de real e imaginário;
Conceitos de Diferença, Tolerância, Preconceito e Discriminação.

Tempo estimado
Cinco aulas

Ano
5º e 6°

Material necessário
Livro A terra dos meninos pelados. Graciliano Ramos, 88 págs,

Desenvolvimento:
1ª etapa: Antecipação/ Sensibilização
Pergunte aos alunos se eles já ouviram falar de Graciliano Ramos (1892-1953) e se eles conhecem alguma obra que ele publicou. Conte à turma que, quando o escritor alagoano decidiu produzir livros para crianças, já era um nome conhecido na literatura brasileira e havia publicado duas importantes obras adultas: São Bernardo, de 1934 e Angústia, de 1936.

Explique à classe que, em 1937, Graciliano Ramos resolveu concorrer a um prêmio literário proposto pelo Ministério da Educação e inscreveu uma história não muito longa e bastante original, chamada "A terra dos meninos pelados", que será lida pela turma nas próximas aulas. A narrativa foi a vencedora, mas não contou com muitos apreciadores na época.

Em seguida, peça que os alunos leiam os dois primeiros capítulos do livro e discuta com eles o conflito vivido pela personagem principal. Raimundo era diferente dos outros meninos? Como? Por que os outros meninos mangavam dele? Pergunte se a classe concorda com a atitude dos outros meninos e como acham que Raimundo se sentia. Discuta a ideia de preconceito e respeito às diferenças.
2ª etapa: análise dos dois primeiros capítulos - tipos de discurso
Peça que os alunos observem que, nos capítulos 1 e 2, poucas vezes a personagem principal fala. Questione a classe sobre o motivo dessa ausência de voz. Em seguida, pergunte se nesses capítulos predomina o discurso direto ou  indireto

Observe que Raimundo fala pela primeira vez apenas no capítulo 2: "- Era melhor que me deixassem quieto, disse Raimundo baixinho." Pergunte à moçada por que ele demora a falar? Por que fala "baixinho"? O que essa fala revela?

Para a aula seguinte, peça que os alunos leiam o 3º capítulo do livro.

3ª etapa: Análise do 3º capítulo - tipos de discurso e foco narrativo
Retome os dois primeiros capítulos de "A terra dos meninos pelados", e comente com a turma que, neles, predomina a voz do narrador:

- "Havia um menino diferente dos outros meninos".
- "Um dia em que ele preparava com areia molhada a serra de Taquaritu e o rio das Sete Cabeças, ouviu gritos dos meninos escondidos por detrás das árvores..."

Comentar que, a partir do capítulo 3, começa a aparecer mais intensamente a voz de Raimundo e peça que os alunos arrisquem uma interpretação. Por que isso ocorre?

Uma possível explicação é que, a partir do momento em que Raimundo transfere-se para o mundo imaginário, diminui a aparição do narrador em 3ª. pessoa. Isso não quer dizer que, de uma hora para outra, a história muda de foco narrativo (retomar o conceito de foco narrativo discutido na leitura de "Rick e a girafa"). Pelo contrário, o narrador continua seguindo a trajetória de Raimundo, só não interfere em momento algum com descrições, comentários, explicações, deixa Raimundo dialogar, conviver com seus novos amigos sem a presença de um adulto ou voz autoritária. Por esse motivo o discurso direto permeia toda a história.

4ª etapa: O real e o imaginário
Peça que os alunos respondam por escrito:

1- No capítulo 3, Raimundo resolve momentaneamente o seu problema. Para onde Raimundo vai?
2- Essa viagem é mágica? Justifique :
3- No mundo imaginário, não se busca a lógica dos fatos, nem a realidade concreta, lá tudo é possível e todas as coisas podem acontecer. Como é a terra dos meninos pelados? Descreva-a.
4- No mundo imaginário, por mais iguais que as crianças sejam, ainda assim, mantêm diferenças que as distinguem. Que diferenças são essas? Retire do texto fragmentos que comprovem sua resposta.
5- Durante toda a narrativa, Raimundo tem consciência da realidade. Considera a terra imaginária excelente para se viver, mas sabe que deve voltar para a realidade. Retire do texto fragmentos que indicam lembranças que ele tem do mundo real.

Peça que os alunos leiam em casa os demais capítulos do livro.

5ª etapa: diferença e discriminação
Discuta oralmente com a classe os seguintes pontos:

1- Logo que Raimundo vê as crianças, algo semelhante ao mundo real lhe acontece. O que acontece? Como Raimundo reage?
2- Sardento propõe a Raimundo um plano. Que plano é esse?
3- O que Raimundo acha desse plano? Qual o conselho ele dá ao amigo?
4- A atitude de Raimundo é contrária à que toma no mundo real? Por quê?
5- O nome "Raimundo" significa "protetor" ou "sábio". Indica uma pessoa que tende a se isolar, pois é muito rigorosa consigo mesma e supervaloriza as virtudes e opiniões dos outros. Porém, quando essa pessoa se conscientiza de sua própria importância, torna-se capaz de dar apoio e conselhos valiosos a todo mundo. Tendo como base a informação sobre o nome "Raimundo", você considera coerente com a atitude da personagem principal, no momento em que ela orienta Sardento?
6- No capítulo 11, os novos amigos de Raimundo querem lhe dar outro nome: "Mundéu" ou "Pirundo". Por qual motivo Raimundo não deseja trocar seu nome?
7- "Raimundo diz para Sardento que o fato de ele ter sardas na pele não muda nada, já que todos o amavam". Essa atitude revela um amadurecimento de Raimundo?
8- A terra dos meninos pelados, segundo a estudiosa Regina Zilberman, pode ser julgada como um texto politicamente correto, ao falar de pessoas perseguidas pelos preconceitos da sociedade, que sabem dar volta por cima, não por se adaptarem aos valores predominantes, mas por se aceitarem como são. Vocês concordam com a opinião da autora? Considera que Raimundo volta para a realidade mais forte para encarar os preconceitos?

Avaliação
Em uma aula, individualmente e com consulta ao livro, entregue questões que contemplem os elementos trabalhados anteriormente (tipos de discurso, narrador, realidade/imaginação e diferença/discriminação) e peça que os alunos respondam por escrito.
RESUMO:

Escrita por Graciliano Ramos, em 1937, assim que sai da cadeia nos tempos sombrios do Estado Novo, A terra dos meninos pelados é uma narrativa para crianças com que o autor ganha o prêmio de literatura infantil do Ministério de Educação e Cultura. Este livro de GRACILIANO RAMOS  é o que mais se aproxima de uma “ ambientação onírica’’ Conta à história de Raimundo, alvo das chacotas dos colegas por ser calvo e ter um olho azul, outro preto. Conformado a princípio com a situação, experimentando assinar-se Dr. Raimundo Pelado pelos muros, acaba resolvendo ir, certa hora, para a terra de Tatipirun, onde "todos os caminhos são certos" e se aplainam para ele passar. Tapirun  é um “” país –paraíso “ um lugar utópico.Os carros não atropelam,as árvores não tem espinhos e os meninos vivem em contato com a natureza sem nenhum perigo. Em Tatipirun, embora muito diferentes entre si, os meninos são todos calvos, têm um olho preto, outro azul, as cigarras tocam suas músicas em grandes discos, as laranjeiras se curvam para oferecer suas laranjas aos passantes. Vindo de Cambacará, Raimundo estranha as vestimentas dos garotos, iguais às teias que viu serem fabricadas pelas aranhas vermelhas, e se vê dentro de um mundo inteiramente plástico, capaz de se comprimir e descomprimir para lhe oferecer conforto físico, conforto moral. Integrando-se gradativamente à terra, Raimundo vai conhecendo Pirenco, Talima, Sira, um menino-anão e Caralâmpia, a menina que virou princesa e tem nos braços pulseiras de cobra coral, no peito um broche de vaga-lume. Procurando sempre os maquinismos ocultos, preocupado com a lição de geografia, e retificando a lição de geografia, Raimundo atravessa essa terra toda feita de diferenças, onde se reordenam alguns conceitos que possuía.


Bibliografia:
- Revista Nova Escola
 -A terra dos meninos pelados. Graciliano Ramos, 88 págs   .

- Como e por que ler a literatura infantil brasileira. Regina Zilberman, 184 págs,

 













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