terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

QUADRILHA Carlos Drummond de Andrade

 

João amava Teresa que amava Raimundo que amava Maria que amava Joaquim que amava Lili que não amava ninguém. João foi para o Estados Unidos, Teresa para o convento, Raimundo morreu de desastre, Maria ficou para tia, Joaquim suicidou-se e Lili casou com J. Pinto Fernandes que não tinha entrado na História.

 

 

sábado, 23 de fevereiro de 2013

SALVE ! SALVE!!!


Hoje o dia é especial
Queremos lhe desejar muitas coisas boas
Que seus sonhos concretizem-se
que seus planos transformem-se em conquistas
que todos os votos recebidos tornem-se realidade
Porque, para nós, você é especial.
Parabéns e obrigado!

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

Estudo Errado - Gabriel O Pensador


ORAÇÂO DO GRUPO

Senhor eu te peço pelo meu grupo.
Para que nos conheçamos melhor em nossas limitações;
Para que cada um de nós sinta e viva as necessidades dos outros;
Para que as nossas discussões não nos dividam, mas nos unam em busca da verdade e do bem;
Para que cada um de nós, ao construir a própria vida, não impeça o outro de viver a sua;
Para que as nossas diferenças não excluam a ninguém do nosso grupo, mas nos levem a buscar a riqueza da unidade;
... Para que olhemos para cada um Senhor, com os teus olhos e nos amemos com o teu coração;
Para que o nosso grupo não se feche em si mesmo, mas seja disponível, aberto, sensível aos desejos dos outros;
Para que no fim de todos os caminhos, além de todas as buscas, no final de cada discussão e depois de cada encontro, nunca haja “vencidos”, mas sempre “irmãos.”
Amém!

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

LEITURA DELEITE : O MENINO E O PADRE

É ótimo  iniciar  aulas com uma leitura deleite. Ela ajudar a descontrair e, se for um texto engraçado, consigo prender a atenção dos alunos desde os  primeiros minutos de aulas.

Um padre andava pelo sertão, e como estava com muita sede, aproximou-se duma cabana e chamou por alguém de dentro.

Veio então lhe atender um menino muito mirrado.

- Bom dia meu filho, você não tem por aí uma aguinha aqui pro padre?

- Água tem não senhor, aqui só tem um pote cheio de garapa de açúcar! Se o senhor quiser... - disse o menino.

- Serve, vá buscar. - pediu-lhe o padre.

E o menino trouxe a garapa dentro de uma cabaça. O padre bebeu bastante e o menino ofereceu mais. Meio desconfiado, mas como estava com muita sede o padre aceitou.

Depois de beber, o padre curioso perguntou ao menino:

- Me diga uma coisa, sua mãe não vai brigar com você por causa dessa garapa?
- Briga não senhor. Ela não quer mais essa garapa, porque tinha uma barata morta dentro do pote.

Surpreso e revoltado, o padre atira a cabaça no chão e esta se quebra em mil pedaços. E furioso ele exclama.

- Moleque danado, por que não me avisou antes?
O menino olhou desesperado para o padre, e então disse em tom de lamento:

- Agora sim eu vou levar uma surra das grandes; o senhor acaba de quebrar a cabacinha de vovó fazer xixi dentro!

Nota:
Conto regional do nordeste, muito conhecido em quase todas as cidades do interior, de Pernambuco ao Maranhão. Origem desconhecida.

Dinamicas de Motivação para Educadores - O olhar do educador

Dinamicas de Motivação para Educadores - O olhar do educador

NÃO SE ESQUEÇA QUE EU SOU SEU APRENDIZ!!


quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013


COMO LIDAR COM ALUNOS COM DIFICULDADES ?

1 = O ALUNO NÂO SABE LER, NÂO IDENTIFICA PALAVRAS. /  O QUE FAZER ?
R = Nesse caso o aluno precisa ser alfabetizado, pois de outra forma terá muita dificuldade em acompanhar as demais atividades  do programa de ensino.
QUE ATIVIDADES TRABALHAR, NESSE CASO ?
- Associar palavras e objetos,
- Memorizar palavras globalmente ,
-Analisar palavras quanto ao número de letras, inicial e final,
- Distinguir letras e números,
-Reconhecer as letras do alfabeto  (cursiva e bastão ),
_ Familiarizar-se com os aspectos sonoros das letras através das iniciais de palavras significativas,
-  Relacionar discurso oral e texto escrito,
- Distingui imagem de escrita,
- Observar a orientação espacial dos textos,
- Produzir textos pré-silábicos,
- Ouvir e compreender histórias,
- Identificar letras e palavras em textos de conteúdo conhecido,
- Atividades com LISTAS  ( de frutas, verduras, materiais, a turminha deles, dentre outras listas )  em dias alternados,
-  Músicas  ( variadas ).
- Contação de histórias.
 - Jogos
2  - O ALUNO IDENTIFICA PALAVRAS DECODIFICA , SÍLABAS OU GAGUEJA . / O QUE FAZER ?
R = Listar as palavras do texto . Ajudar o aluno a ler e reler as palavras várias vezes, até que seja capaz de identifica-las automaticamente no texto.
QUE ATIVIDADES TRABALHAR, NESSE CASO  ?
- Reconhecer a primeira letra das palavras no contexto da sílaba inicial,
- Comparar palavras memorizadas  globalmente com a hipótese silábica,
- Contar o número de letras das palavras,
- Desmembrar oralmente as palavras em suas sílabas,
- Reconhecer o som aberto das letras pela análise da primeira sílaba das palavras,
-  Reconhecer a forma e as posições dos dois tipos de letras cursiva : maiúscula,
- Identificar palavras em textos de conteúdo  conhecido ( qualquer tipo de palavra ),
- Produzir textos silabicamente ,
- Ouvir e compreender histórias,
- Completar palavras com as letras que faltam ( observando que o número de letras presentes exceda o número da palavra ),
- Ditado para Escriba
- Atividades com Rótulos,
- Histórias Infantis –
- Jogos,
- Contação de Histórias,
_ Música.
3 = O ALUNO  IDENTIFICA PALAVRAS AUTOMATICAMENTE , MAS NÂO LÊ COM FLUÊNCIA. ? O QUE FAZER ?
R = Separar a frase do texto. Ajudar o aluno  a ler uma frase de cada vez, repetindo para adquirir maior fluência.
QUE ATIVIDADES TRABALHAR, NESSE CASO  ?
- Compor palavras com sílabas,
- Decompor palavras em suas sílabas ,
- Produzir textos alfabeticamente,
- Ler textos de seu nível,
- Completar palavras com as sílaba  que faltam,
- Observar a segmentação entre as palavras no texto;
- Observar os sinais de pontuação,
- Ouvir e compreender histórias de gêneros variados,
- Completar textos com palavras,
- Construir frases com palavras dadas,
-  Leitura por Hipóteses/adivinhação.
- Conto
- Músicas
- jogos.;

domingo, 17 de fevereiro de 2013

JOGOS DE LEITURA

ADIVINHAÇÂO e/ou CHECAGEM DE HIPÒTESES

Pega-se uma narrativa de preferência curta, e que tenha, em alguma medida quebra de expectativas. Recorta-se o texto em vários fragmentos correspondentes a pequenos episódios; os cortes devem coincidir  com momentos em que a (s) personagem (s) vai (ão) tomar uma atitude ( mudança de cena );deve-se cuidar para que o fragmento  não seja nem muito pequeno, a ponto de não oferecer nenhuma informação nova, nem muito grande , a ponto de tornar a atividade enfadonha; evita-se de inicio dizer o nome do autor do texto, porque seu conhecimento deve criar novas expectativas  por causa do estilo, da temática, das posições políticas, etc. nem sempre interessante ao exercício.
A atividade começa com o oferecimento do primeiro fragmento ( pode ser apenas o título ) aos alunos, pedindo que escrevam (  individualmente ) o que vai acontecer  na história. Faz-se,  então, a leitura e a discussão do que escreveram, individualmente imaginavam o que vai acontecer na história  Faz então a leitura e a discussão do que escreveram  anotando-se as expectativas criadas pelo fragmento e  o   que as teria motivado, ( normalmente algum  índice do texto ou o valor ‘’mais  comum’’ de certas palavras ou, ainda, alguma projeção ideológica do leitor ). Passa-se, então, para o segundo fragmento, que pode confirmar ou anular  a primeira adivinhação ( hipótese)   e repete-se todo o procedimento. E, assim, sucessivamente até o final da história.
É importante deixar claro aos alunos que eles não precisam acertar .Que a brincadeira está em tentar adivinhar e não em acertar o que tem na história. Do mesmo modo, é importante explicitar  que não precisam insistir na sua história; se ‘’ adivinharam’’ no primeiro segmento não servir após a leitura do segundo, podem abandonar aquela ‘’adivinhação’’  ‘’hipótese’’ e começar outra.
O exercício aguça a curiosidade do leitor, contribui para  o entendimento do texto  e explicita recursos importantes da língua . No entanto, sua finalidade primordial ‘’ não é ensinar técnicas de leitura ou conceitos ‘’, mas promover a leitura viva , crítica e criativa. Pode ser usado em qualquer nível escolar  importando escolher um texto que esteja de acordo com o nível da turma.
A título de exemplo apresento uma sugestão de leitura, com o JOGO DE ADIVINHAÇÔES e/ou CHECAGEM DE HIPÒTESES  feita com o conto PASSEIO NOTURNO ( parte I,2 ) de Rubem Fonseca . Os comentários que faço são resultado daquilo que ocorreu nas vezes em que fiz este exercício.
  FRAGMENTO :  PASSEIO NOTURNO
O título da história sugere algo introspectivo, suave e delicado . As pessoas normalmente sugerem  uma caminhada por um bosque, uma praia  um parque, uma rua trantranquila; personagem estaria .relembrando coisas do passado, pensando na vida. Tem-se aí um exemplo típico de projeção ideológica e de repertório cultural atuando sobre a leitura: passeio é lazer, descanso e, portanto, não combina com violência. Agressão, etc. Sem dúvida, o autor considerou estas questões ao escolher o título para seu conto.
O professor após apresentar  o título da história pede aos alunos que escrevam o que acham que vai acontecer. É interessante, na leitura das ADIVINHAÇÔES/ CHECAGEM DE HIPÒTESES dos alunos, criar polêmica, perguntando o porquê  de tal ou qual impressão, etc.

   FRAGMENTO:  
  • Cheguei em casa carregando a pasta cheia de papéis
  • Relatórios, estudos, pesquisas,propostas, contratos. Minha
  • Mulher, jogando paciência na cama, um copo de uíque na
  • mesa de cabeceira, disse,  sem tirar sem tirar os olhos das cartas,
  • você está com um ar cansado . Os sons da casa: minha filha
  • no quarto dela treinando empostação de voz, a música
  • quadrifônica do quarto do meu filho . Você não vai largar
essa mala?, perguntou a mulher, tira essa roupa, bebe
um uisquinho, você precisa aprender a relaxar.
Logo de cara o autor, já quebra a expectativa criada. Ao invés de criar um ambiente aberto, tranquilo que convide ao passeio e à reflexão, o leitor se depara com um ambiente  fechado – um apartamento -  inóspito, opressivo, desagradável. O personagem narrador surge como alguém injustiçado, sem consideração dos filhos e da mulher. Mas a ideia de um passeio noturno está mais que nunca justificada: espairecer a cabeça, descansar, esquecer. Novamente o professor  pede  para que os alunos escrevam  como vai continuar a história. Já nesta passagem há o contato com o protagonista ( o narrador ).e com o jogo de tensão: o comportamento da família.
 FRAGMENTO :
Fui para a biblioteca, o lugar da casa onde gostava de
ficar isolado e como sempre não fiz nada. Abri o volume de
pesquisas sobre a mesa, não via as letras e números, eu
esperava apenas. Você não para de trabalhar, aposto que
os teus sócios não trabalham nem a metade e ganham a
mesma coisa, entrou a minha mulher na sala com o copo
na mão, já posso mandar servir o jant
Cresce a tensão narrativa; a personagem feminina é insuportável, forçando o narrador a querer fugir dela, uma alcoólatra histérica. Identificado com o narrador, o leitor tem pena dele. Normalmente, nas adivinhações aparecem as possibilidades da catástrofe.
-------- o marido vai convidar a mulher para passear e assassiná-la – e da traição – o narrador sai a procura de outra, de uma aventura amorosa. A ideia inicial de um passeio por lugares idílicos pode ganhar uma nova versão : “” o passeio mental “”, uma viagem solitária pelo pensamento.
 FRAGMENTO :
A copeira servia à francesa, meus filhos tinham crescido, eu e
A minha mulher estávamos gordo. É aquele vinho que você
gosta, ela estalou a língua com prazer. Meu filho me pediu
dinheiro quando estávamos no cafezinho, minha filha me
pediu dinheiro na hora do licor. Minha mulher nada pediu,
nós tínhamos conta bancária conjunta. Vamos dar uma volta
de carro ? , convidei.

A tensão em casa chega ao limite: num jantar milionário imperam a frivolidade e a hipocrisia que exasperam e sufocam o ‘’ bom pai ‘’. É evidente a posição de coitadinho em que se coloca o narrador .justificando a necessidade de um passeio, uma aventura, ou até, de um crime que o libertasse de seu algoz.
Um elemento novo e inesperado é introduzido na narrativa:  um carro. Ele traz de volta a ideia já meio esquecida do passeio, ainda que retirando seu ”” bucolismo “”. O convite é para saírem juntos, ela aceita ? Se saírem juntos,  vão fazer as pazes ou brigar ?  Será que ele a mata ? Se sair sozinho, que vai fazer ? Matar-se ( atirando-se de um despenhadeiro ) ? Paquerar alguém e viver uma aventura ? Encontrar-se com a amante ? Neste momento do exercício já é grande a curiosidade dos alunos de como vai acabar a história; o professor deve aproveitar o momento para esquentar o debate fazendo perguntas polêmicas  e provocadoras, do tipo “” o que cocês fariam nestas circunstãncias ?””
 FRAGMENTO :
Eu sabia que ela não ia, era hora da novela. Não sei que graça
Acha em passear de carro todas as noites, também aquele carro
Custou uma fortuna, tem que ser usado, eu é que cada vez me
Apego menos aos bens materiais, minha mulher responde

Volta a rotina neurótica da casa. Ela não vai sair com ele que já esperava por isto; tudo não passa de um teatro. Torna-se mais forte a hipótese da amante ou da aventura; perdem forças as hipóteses do assassinato ou do suicídio. Alguns alunos percebem índices importantes  - o carro “” custou uma fortuna “” e ele sai “”todas as noites”” -  que mudam os rumos das expectativas. Ele vai sair sozinho para quê ? Espairar a cabeça ? Encontrar a amante ? Beber ?  Acontecerá alguma coisa de diferente ( essa ideia é forte e decorre da ideia de que uma história normalmente traz um conteúdo pouco comu

 FRAGMENTO :
Os carros dos meninos bloqueavam as portas da garagem,
Impedindo que eu tirasse o meu. Tirei os carros dos dois, botei
Na rua, tirei o meu, botei na rua, coloquei os dois carros
Novamente na garagem, fechei a porta, essas manobras todas
Me deixaram levemente irritado, mas  ao ver os para-choques
Salientes do meu carro, o reforço especial duplo de aço cromado,
Senti o coração bater apressado de euforia. Enfiei a chave na
Ignição, era um motor poderoso que gerava  a sua força em
Silêncio, escondido no capô aerodinamica.
O carro ganha importância; há claramente algo de fetichista  e anormal na conduta do narrador,  fazendo com que seja iminente uma catástrofe, traição ou crime. O narrador começa a mostrar sua outra face, que pode ser a de um  quarentão playboy  ou coisa que valha. Já não há mais espaço para um passeio como imaginado a partir da leitura do título, mas em função das projeções ideológicas  e do desejo do leitor não surgem adivinhações muito catastróficas ( há sempre  a possibilidade de a coisa dar certo ).
7º FRAGMENTO
Saí, como sempre sem saber onde ir, tinha que ser uma
rua deserta, nesta cidade que tem mais gente do que moscas
Na Avenida Brasil, ali não pode ser, muito movimento.
Cheguei numa rua mal iluminada, cheia de árvores escuras,
Alugar ideal. Homem ou Mulher ? Realmente não  fazia grande
Diferença, mas não aparecia ninguém em condições, comecei
a ficar tenso, isso sempre acontecia, eu até gostava, o alívio
era maio 

O texto toma nova direção, aparecendo com toda força  a sugestão que trata de um Maníaco sexual enrustido. A hipótese mais óbvia é a de estupro que pode ser seguido de assassinato; além disso, há sugestões de sadismo e masoquismo , etc. Alguns, sem perceber certos índices, insistem na possibilidade de alguém  que busca  carinho
8º FRAGMENTO
Então vi a mulher, podia ser ela, ainda que mulher fosse menos
emocionante por ser mais fácil. Ela caminhava
apressadamente, carregando um embrulho de papel ordinário,
coisas de padaria ou de quitanda, estava de saia e de blus
andava de pressa, havia árvores na calçada, de vinte em vinte
metros, um interessante problema a exigir uma grande dose
de perícia.
Está bem estabelecida a imagem da violência, que, aliás é o motivo do próprio passeio. A pergunta que resta é que o narrador vai fazer com a mulher:  sequestra-la?, estuprá – la? , matá-la? Como? sem lembrar  que o passeio acontece todas as noites,   pensa-se em um modo de abordar a mulher (  o narrador desce do carro ou apenas reduz a felicidade e convida-a para subir ? é delicado e sedutor ou autoritário e agressivo ? ) o leitor está tenso, quer saber o final e tem raiva do narrador
9º FRAGMENTO :
Apaguei as luzes do carro e acelerei. Ela s
Percebeu que eu ia para cima dela quando ouviu o
Som da borracha dos pneus batendo no meio-fio.
Peguei a mulher acima dos joelhos, bem no meio
das duas pernas, um pouco mais sobre a
esquerda, um golpe perfeito, ouvi o barulho d
impacto partindo os dois ossões, dei uma guinada
rápida para a esquerda, passei como um foguete
rente a uma das árvores e deslizei com os pneu
cantando, de volta para o asfalto. Motor bom,
meu, ia de zero a cem quilômetro em novembro
segundos. Ainda deu para ver o corpo todo
desengonçado da mulher havia ido parar, colorido
de sangue, em cima do muro, desses baixinhos de
casa de subúrbio. Examinei o carro na garagem.
Corri orgulhosamente a mão de leve pelos para-
lamas, os para-choques sem marcas. Poucas
pessoas, no mundo inteiro, igualavam a minha
habilidade no uso daquelas máquinas. A família
estava vendo televisão . Deu a sua voltinha, agora
está mais calmo ? perguntou minha mulher,
deitada no sofá, olhando fixamente ovídeo. Vou
dormir, boa noite a todos, respondi, amanhã
vou ter um dia terrível na companhia .
O desenlace e o epílogo são ainda mais sádicos e cínicos do que poderíamos imaginar, chegando a requintes de violência. Um crime diário por prazer, violentíssimo seguido de uma brutal hipocrisia. O texto joga na cara do leitor, com uma ironia mordaz, toda a violência da vida urbana. E fez isto mostrando uma frieza e calma tais que a agressão fica ainda maior.
Terminada a fase da ADIVINHAÇÂO, faz-se uma nova leitura  do texto, que permite reinterpretar e sentir mais os índices, entender como e porque não tinham sido percebidos, descobrir o quanto a visão de  mundo de cada um atua na  interpretação do texto.
O jogo da adivinhação às estruturas subjacentes da narrativa, ampliando a percepção  dos recursos usados pelo autor e pelo leitor na construção da narrativa. A explicação e nomeação destes recursos é uma atividade  que até pode ser levada adiante , se for do interesse do professor, mas não é fundamental. O mais importante é o aluno poder experimentar estes aspectos na sua leitura.
 Luiz Percival Leme Britto  Jogos de Leitura

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

sábado, 9 de fevereiro de 2013

Elaboração de um diário de leitura



 

Os prazeres da leitura são múltiplos. Lemos para saber, para compreender, para refletir.

Lemos também pela beleza da linguagem, para nossa emoção, para nossa perturbação.

Lemos para compartilhar. Lemos para sonhar e para aprender a sonhar. (MORAIS, 1996:12

Introdução

O diário de leitura é, segundo Rachel Machado, Lousada e Abreu-Tardelli (na obra Resenha - leitura e produção de textos técnicos e acadêmicos, Editora Parábola), uma ferramenta para a leitura crítica de textos. As autoras defendem a idéia de que, com a prática do diário de leitura, o aluno poderá ter uma atitude de leitor ativo, que faz  antecipação, levantamentos de conhecimentos prévios, expectativas, Identificação das pistas que mostram a posição do autor;

Relação de novas informações ao conhecimento prévio;

Identificação de referências a outros textos.

Atividades para depois da leitura:

Construção da síntese semântica do texto;

Utilização do registro escrito para melhor compreensão;

Troca de impressões a respeito do texto lido;

Relação de informações para tirar conclusões;

Avaliação das informações ou opiniões emitidas no texto; inferência, predição,  interativo e crítico diante dos textos, o que, segundo elas, pode ajudá-lo a ter opinião mais segura e fundamentada sobre o texto lido.

Ponto de partida

O diário de leitura não é uma atividade a ser desenvolvida exclusivamente na sala aula. Pelo contrário. Deve ser iniciada pelo professor junto aos seus alunos na sala de aula (nas aulas de leitura, por exemplo), mas deve se estender para casa, como uma prática de estudo que acompanhará o estudante pela vida escolar afora, desde o ensino fundamental até a carreira universitária.

Objetivos

1) Levar os alunos à prática da leitura crítica do texto;

2) Desenvolver nos alunos técnicas de "diálogos" com o texto lido;

3) Motivar os alunos a manterem contato com a leitura e, ao mesmo tempo, incentivar a escrita: indiscutivelmente, práticas sociais de fundamental importância no mundo contemporâneo.

Desenvolver a prática na formação do leitor, que para alcançar

esse estágio de proficiência deve dominar os processamentos básicos da leitura.

 

Estratégias

1) Peça aos alunos que cada um providencie um caderno. Nele serão anotadas as observações, os comentários, as dúvidas, etc. acerca da leitura que farão;

2) Esclareça para eles que o "diário de leitura" não é um diário íntimo, isto é, aquele em que se escreve sobre a vida, e sim um diário reflexivo de leitura;

3) Peça aos alunos que registrem tudo: a busca de objetivos para a leitura, a expressão de dúvidas diante da leitura, reflexões sobre as dificuldades com a leitura e tentativas de compreender suas causas ou, mesmo, reflexões sobre o processo de leitura;

4) Diga para não se preocuparem com o certo ou o errado, pois tudo o que se pensar ao ler o texto deverá ser registrado;

5) Explique ao alunos que, por se tratar de uma espécie de conversa, eles não devem falar o tempo todo, mas também devem ouvir o autor do texto que está sendo lido, pois, como numa conversação, também precisamos dar voz ao nosso interlocutor;

6) Para isso, há várias ações envolvidas: falamos, escutamos, concordamos, discordamos, interferimos, perguntamos, etc. Esse movimento permite que ambos (autor do texto e aluno), falem e escutem.

Comentários

O diário de leitura não é um texto para ser entregue ao professor, pois, como o próprio nome sugere, é um diário, ou seja, um texto que apenas o aluno irá ler. Todavia, se houver a necessidade de que o texto seja entregue ao professor, uma segunda versão deverá ser elaborada, verificando se há alguma informação que o aluno prefira omitir, se ele deseja rever suas posições, ou mesmo melhorar o texto, não se esquecendo de que, pelo fato de entregar ao professor, o caderno deixa de ser um diário.

Seguem abaixo, com pequenas adaptações, algumas instruções, dadas pelas autoras do livro, para a elaboração de um diário de leitura:

Instruções para elaboração do diário de leitura

1. Observe o título do texto e registre no seu diário:

- suas impressões: gostou ou não?

- tem vontade de ler?

- que tipo de texto espera encontrar? Sobre o que você acha que o texto trata?

2. Antes de iniciar a leitura, observe todas as informações - (verbais ou não-verbais) - que podem ajudá-lo a melhor compreender o texto: a última capa, a orelha, as notas sobre o autor, a bibliografia (se houver), o índice, etc. Anote tudo o que você julgar importante e as idéias que você for tendo a respeito do texto a ser lido.

3. À medida que você for lendo, vá registrando (sempre com frases completas):

a) as relações que você puder ir estabelecendo entre os conteúdos do texto e qualquer outro tipo de conhecimento que você já tenha (livros ou textos que já leu, aulas, músicas, filmes, sua experiência de vida, etc.).

b) as contribuições que julga que o texto está trazendo para: qualquer tipo de aprendizado, o desenvolvimento de sua prática de leitura, o desenvolvimento de produção de textos, algum trabalho que vai realizar, etc.

c) sua opinião sobre o texto, sobre sua forma e seu conteúdo: vá discutindo as idéias do autor (concordando ou discordando, levantando dúvidas)

d) vá registrando as dificuldades de leitura que encontrar e anotando os trechos que não compreender ou aqueles de que mais gostar.

4) Sempre justifique suas opiniões!

Jorge Viana de Moraes:
é professor universitário em cursos de graduação e pós-graduação na área de Letras. Atualmente, mestrando em Língua Portuguesa e Filologia pela Universidade de São Paulo.

http://educacao.uol.com.br/planos-de-aula/medio/portugues-elaboracao-de-um-diario-de-leitura.htm

Macunaíma - Filme Completo - [Parte 1 de 7]




Autor: Mário de Andrade

 Anti-herói é esta personagem de igual nome ao título. A crítica de Mario de Andrade a uma sociedade que, formada de três raças, distintas consegue ter preconceitos contra ela mesma. Não deixe de ler esta grande obra onde realidade e fantasia se misturam formando uma composição única.
A leitura de Macunaíma é a visão da luta do colonizador e o colonizado. O índio é o colonizado e o colonizador é o antagonista. A mensagem deste livro faz referência a nossa cultura, que se afastou da sua origem, e com isso, o modernista aparece para tentar conscientizar as pessoas para voltar às origens e o amor a terra, sendo assim, Macunaíma é uma lenda amazônica.


ALGUNS PONTOS QUE FORAM CITADOS EM SALA DE AULA 

Mário de Andrade é um estudioso da literatura, música e folclore. Através de pesquisas busca elementos acentuadamente brasileiros, reuniu diversos materiais escritos e falados para escrever a obra de forma mesclada, envolvendo todas as regiões brasileiras, retratando as lendas e mitos de nosso folclore indígena. Nacionalista – tenta resgatar a língua brasileira, uma vez que dava o maior destaque a linguagem popular.
A obra Macunaíma é considerada uma rapsódia devido a variedade de gêneros literários presentes na obra:

1.      Epopéia: fala da criação do herói;
2.      Crônica: palavras bem despojadas;
3.      Paródia: imitação dos estilos.

Não podendo ser classificado como romance, pois não apresenta as características tradicionais do romance, como: coerência lógica de tempo, lugar, ação e personagens. Nasce negro depois vira branco.


CARACTERÍSTICAS DO MODERNISMO EM MACUNAÍMA.

1.     Espaço real x imaginário = rompe critérios de tempo e espaço, por esse motivo pode realizar aquelas fugas espetaculares e assombrosas, que da capital de SP foge para as fronteiras do Mato Grosso e logo está no Amazonas, e assim por diante, as fugas são variadas, faz uma espécie de zigue-zague no tempo. Passa por quase todos os Estados do Brasil, numa espécie de magia.

2. Destruir e fazer escândalos: Macunaíma é um livro violentado não só na sua estrutura como também nos aspectos lingüísticos. Na estrutura, o livro não apresenta coerência no que se refere ao tempo, lugar, ações e personagens. No aspecto lingüístico a carta, escrita por Macunaíma, satiriza o distanciamento entre a língua escrita e falada. (…) falam numa língua e escrevem noutra.”

Macunaíma é um herói sem caráter: mentiroso, traira, ladrão, vingativo, egoísta, quer levar vantagem em tudo, é guiado pelo prazer, pelo medo e pelo oportunismo. Macunaíma não tem um caráter definido, em suas viagens, passa por diversas metamorfoses para se beneficiar. Ex.: Cabeça de criança com corpo de adulto para poder ter relações sexuais.


EXPRESSÕES MARCANTES DA OBRA

Ai que preguiça = apatia. Nessa expressão o autor procurar mostra o perfil da maioria dos brasileiros. A natureza apática, falta de ânimo, preguiçoso e acomodado. “(…) feriado novo inventado para os brasileiros descansarem.” A frase “Ai que preguiça“ é repetida por todo o livro, e o herói sempre pronunciava nas dificuldades que encontrava.

Brincar = sexualidade. É a expressão do ato sexual: prazer do sexo, sem pensar na procriação. Brincar no sentido lúdico, erótico e brincadeira  de carnaval. Existência de piadinhas indecorosas bem próprias do gosto brasileiro.

Formação das raças = complexo racial. Desde o primeiro capítulo se evidencia o complexo racial, mas onde fica mais claro é na passagem do poço encantado. Macunaíma sem perceber tomou banho em uma água encantada e se transformou em um rapaz loiro de olhos azuis: branco; os irmãos também entraram na água, porém, como já suja do negrume do herói, Jiguê ficou vermelho: índio, e Maanape só molhou as palmas das mãos que ficaram mais claras: negro. Mário de Andrade reúne os três tipos fundamentais da formação da raça brasileira: índio, negro e branco.

Pouca saúde e muita saúva, os males do Brasil são = subdesenvolvimento. O autor reprova as diferenças de classes sociais presentes no país.

Falam numa língua e escrevem noutra = Língua Portuguesa. A grande sátira em Macunaíma é a Língua Portuguesa, principalmente no seu aspecto escrito. A carta escrita por Macunaíma, satiriza o distanciamento entre a língua escrita e a falada. Faz uma sátira: português do jeito que o brasileiro fala.

Valorização da língua falada = discurso direto livre. Uso da linguagem cotidiana, de frases e palavras usuais; concordância, regência, colocação e construções irregulares e arcaicas. A maioria chamada de “erros” de linguagem, palavras que caíram em desuso.

Gigante Piaimã: representa o elemento estrangeiro, civilizado e superior que vai dominando a pobre nação subdesenvolvida e fraca. O herói transforma-se numa princesa linda para negociar o talismã com o gigante, mas este se apaixona e quer possuí-lo antes de entregar a pedra. Nessa passagem existe uma crítica de que o brasileiro só valoriza aquilo que é de fora.

Descentralização da cultura: um dos pontos que podemos destacar é a “língua” – o vocabulário regional de todos os pontos do Brasil.

Busca do subconsciente e inconsciente: não se pode entender Macunaíma em termos de lógica – é uma expressão do mundo inconsciente.

Carta: com intuito de conseguir dinheiro para se manter em São Paulo, escreve uma carta com um vocabulário requintado e relata suas aventuras e de seus irmãos em São Paulo. Nesse caso, o autor faz algumas críticas: aos parnasianos- escola literária em que os poetas se preocupavam com a precisão das palavras, procuravam obter um vocabulário adequado ao tema de cada poema; aos políticos- que só lembram dos súditos quando precisam de dinheiro; à literatura escrita: tão formal que somente a elite consegue entender.

Processo antropofágico: conhecer todos os tipos de cultura, aquilo que é bom e se encaixa em meu país fica em mim,  e o que é ruim, é expelido, jogado fora.

MACARRONADA ANTROPOFÁGICA (com carne humana): Macunaíma empurrou o gigante dentro da macarronada (comida italiana) e matou o comedor de gente, recuperou sua pedra e voltou para o mato. Comendo a carne do herói ele adquire suas qualidades boas, e as ruins são expelidas do corpo de alguma forma.

Influência de Freud: Sexo incestuoso, sexo na infância.

Violência sexual: Macunaíma força Ci, mãe do mato, a transar com ele. Deu-lhe uma paulada na cabeça e a desmaiou,  e assim ele brincou com a mãe do mato, mas depois acabam se apaixonando.

METÁFORA do episódio: quando os europeus invadiram o Brasil, no primeiro momento não aceitamos, fomos forçados, mas depois acabamos gostando.

Macunaíma tem um filho com Ci: uma cobra preta envenenou o leite de Ci e quando o filho foi mamar morreu envenenado. No túmulo do filho nasce um pé de guaraná. Ci, neste dia, deixa um talismã para Macunaíma e depois se transforma numa estrela de constelação. Macunaíma perde a pedra e o passarinho conta que está com o gigante, em São Paulo, e o herói vai atrás dele para retomar o que lhe pertence.
Chegando em São Paulo, tudo era estranho, telefone para ele era um bicho, mas logo se adaptou, aos poucos foi aprendendo os nomes das coisas e aprendeu a usar bem os objetos.


No fundo do mato virgem: é uma metáfora do país ainda inexplorado.

Papagaio: é o próprio Mário de Andrade que conta às aventuras de Macunaíma.


INTERTEXTUALIDADES:

1.      TRISTE FIM DE POLICARPO QUARESMA x MACUNAÍMA:

Ambas possuem uma característica predominante: verdadeiros heróis em busca de suas raízes brasileiras. Macunaíma vive na selva amazônica, já Policarpo planta árvores e plantas nacionais, percorre diferentes  partes do país para resgatar as raízes e a cultura brasileira.


2.      IRACEMA  x MACUNAÍMA:

 Paródia crítica: Mário de Andrade faz uma paródia crítica em relação a índia de Jose de Alencar. A índia de JAl (IRACEMA) não é real, é européia com algumas características físicas de índio.