sábado, 9 de fevereiro de 2013

Macunaíma - Filme Completo - [Parte 1 de 7]




Autor: Mário de Andrade

 Anti-herói é esta personagem de igual nome ao título. A crítica de Mario de Andrade a uma sociedade que, formada de três raças, distintas consegue ter preconceitos contra ela mesma. Não deixe de ler esta grande obra onde realidade e fantasia se misturam formando uma composição única.
A leitura de Macunaíma é a visão da luta do colonizador e o colonizado. O índio é o colonizado e o colonizador é o antagonista. A mensagem deste livro faz referência a nossa cultura, que se afastou da sua origem, e com isso, o modernista aparece para tentar conscientizar as pessoas para voltar às origens e o amor a terra, sendo assim, Macunaíma é uma lenda amazônica.


ALGUNS PONTOS QUE FORAM CITADOS EM SALA DE AULA 

Mário de Andrade é um estudioso da literatura, música e folclore. Através de pesquisas busca elementos acentuadamente brasileiros, reuniu diversos materiais escritos e falados para escrever a obra de forma mesclada, envolvendo todas as regiões brasileiras, retratando as lendas e mitos de nosso folclore indígena. Nacionalista – tenta resgatar a língua brasileira, uma vez que dava o maior destaque a linguagem popular.
A obra Macunaíma é considerada uma rapsódia devido a variedade de gêneros literários presentes na obra:

1.      Epopéia: fala da criação do herói;
2.      Crônica: palavras bem despojadas;
3.      Paródia: imitação dos estilos.

Não podendo ser classificado como romance, pois não apresenta as características tradicionais do romance, como: coerência lógica de tempo, lugar, ação e personagens. Nasce negro depois vira branco.


CARACTERÍSTICAS DO MODERNISMO EM MACUNAÍMA.

1.     Espaço real x imaginário = rompe critérios de tempo e espaço, por esse motivo pode realizar aquelas fugas espetaculares e assombrosas, que da capital de SP foge para as fronteiras do Mato Grosso e logo está no Amazonas, e assim por diante, as fugas são variadas, faz uma espécie de zigue-zague no tempo. Passa por quase todos os Estados do Brasil, numa espécie de magia.

2. Destruir e fazer escândalos: Macunaíma é um livro violentado não só na sua estrutura como também nos aspectos lingüísticos. Na estrutura, o livro não apresenta coerência no que se refere ao tempo, lugar, ações e personagens. No aspecto lingüístico a carta, escrita por Macunaíma, satiriza o distanciamento entre a língua escrita e falada. (…) falam numa língua e escrevem noutra.”

Macunaíma é um herói sem caráter: mentiroso, traira, ladrão, vingativo, egoísta, quer levar vantagem em tudo, é guiado pelo prazer, pelo medo e pelo oportunismo. Macunaíma não tem um caráter definido, em suas viagens, passa por diversas metamorfoses para se beneficiar. Ex.: Cabeça de criança com corpo de adulto para poder ter relações sexuais.


EXPRESSÕES MARCANTES DA OBRA

Ai que preguiça = apatia. Nessa expressão o autor procurar mostra o perfil da maioria dos brasileiros. A natureza apática, falta de ânimo, preguiçoso e acomodado. “(…) feriado novo inventado para os brasileiros descansarem.” A frase “Ai que preguiça“ é repetida por todo o livro, e o herói sempre pronunciava nas dificuldades que encontrava.

Brincar = sexualidade. É a expressão do ato sexual: prazer do sexo, sem pensar na procriação. Brincar no sentido lúdico, erótico e brincadeira  de carnaval. Existência de piadinhas indecorosas bem próprias do gosto brasileiro.

Formação das raças = complexo racial. Desde o primeiro capítulo se evidencia o complexo racial, mas onde fica mais claro é na passagem do poço encantado. Macunaíma sem perceber tomou banho em uma água encantada e se transformou em um rapaz loiro de olhos azuis: branco; os irmãos também entraram na água, porém, como já suja do negrume do herói, Jiguê ficou vermelho: índio, e Maanape só molhou as palmas das mãos que ficaram mais claras: negro. Mário de Andrade reúne os três tipos fundamentais da formação da raça brasileira: índio, negro e branco.

Pouca saúde e muita saúva, os males do Brasil são = subdesenvolvimento. O autor reprova as diferenças de classes sociais presentes no país.

Falam numa língua e escrevem noutra = Língua Portuguesa. A grande sátira em Macunaíma é a Língua Portuguesa, principalmente no seu aspecto escrito. A carta escrita por Macunaíma, satiriza o distanciamento entre a língua escrita e a falada. Faz uma sátira: português do jeito que o brasileiro fala.

Valorização da língua falada = discurso direto livre. Uso da linguagem cotidiana, de frases e palavras usuais; concordância, regência, colocação e construções irregulares e arcaicas. A maioria chamada de “erros” de linguagem, palavras que caíram em desuso.

Gigante Piaimã: representa o elemento estrangeiro, civilizado e superior que vai dominando a pobre nação subdesenvolvida e fraca. O herói transforma-se numa princesa linda para negociar o talismã com o gigante, mas este se apaixona e quer possuí-lo antes de entregar a pedra. Nessa passagem existe uma crítica de que o brasileiro só valoriza aquilo que é de fora.

Descentralização da cultura: um dos pontos que podemos destacar é a “língua” – o vocabulário regional de todos os pontos do Brasil.

Busca do subconsciente e inconsciente: não se pode entender Macunaíma em termos de lógica – é uma expressão do mundo inconsciente.

Carta: com intuito de conseguir dinheiro para se manter em São Paulo, escreve uma carta com um vocabulário requintado e relata suas aventuras e de seus irmãos em São Paulo. Nesse caso, o autor faz algumas críticas: aos parnasianos- escola literária em que os poetas se preocupavam com a precisão das palavras, procuravam obter um vocabulário adequado ao tema de cada poema; aos políticos- que só lembram dos súditos quando precisam de dinheiro; à literatura escrita: tão formal que somente a elite consegue entender.

Processo antropofágico: conhecer todos os tipos de cultura, aquilo que é bom e se encaixa em meu país fica em mim,  e o que é ruim, é expelido, jogado fora.

MACARRONADA ANTROPOFÁGICA (com carne humana): Macunaíma empurrou o gigante dentro da macarronada (comida italiana) e matou o comedor de gente, recuperou sua pedra e voltou para o mato. Comendo a carne do herói ele adquire suas qualidades boas, e as ruins são expelidas do corpo de alguma forma.

Influência de Freud: Sexo incestuoso, sexo na infância.

Violência sexual: Macunaíma força Ci, mãe do mato, a transar com ele. Deu-lhe uma paulada na cabeça e a desmaiou,  e assim ele brincou com a mãe do mato, mas depois acabam se apaixonando.

METÁFORA do episódio: quando os europeus invadiram o Brasil, no primeiro momento não aceitamos, fomos forçados, mas depois acabamos gostando.

Macunaíma tem um filho com Ci: uma cobra preta envenenou o leite de Ci e quando o filho foi mamar morreu envenenado. No túmulo do filho nasce um pé de guaraná. Ci, neste dia, deixa um talismã para Macunaíma e depois se transforma numa estrela de constelação. Macunaíma perde a pedra e o passarinho conta que está com o gigante, em São Paulo, e o herói vai atrás dele para retomar o que lhe pertence.
Chegando em São Paulo, tudo era estranho, telefone para ele era um bicho, mas logo se adaptou, aos poucos foi aprendendo os nomes das coisas e aprendeu a usar bem os objetos.


No fundo do mato virgem: é uma metáfora do país ainda inexplorado.

Papagaio: é o próprio Mário de Andrade que conta às aventuras de Macunaíma.


INTERTEXTUALIDADES:

1.      TRISTE FIM DE POLICARPO QUARESMA x MACUNAÍMA:

Ambas possuem uma característica predominante: verdadeiros heróis em busca de suas raízes brasileiras. Macunaíma vive na selva amazônica, já Policarpo planta árvores e plantas nacionais, percorre diferentes  partes do país para resgatar as raízes e a cultura brasileira.


2.      IRACEMA  x MACUNAÍMA:

 Paródia crítica: Mário de Andrade faz uma paródia crítica em relação a índia de Jose de Alencar. A índia de JAl (IRACEMA) não é real, é européia com algumas características físicas de índio.





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