segunda-feira, 30 de junho de 2014

Língua Portuguesa | Uma (re)leitura do Hino Nacional Brasileiro - Como apreender e compreender os aspectos morfossintáticos e semânticos da letra do Hino Nacional Brasileiro

Língua Portuguesa | Uma (re)leitura do Hino Nacional Brasileiro - Como apreender e compreender os aspectos morfossintáticos e semânticos da letra do Hino Nacional Brasileiro



Por que escrever um livro sobre o Hino Nacional Brasileiro? A nossa proposta fundamental era fazer com que os professores e os alunos pudessem analisar a letra, trabalhando com o léxico da língua portuguesa e compreendendo melhor os aspectos sintático-semânticos da letra do Hino Nacional Brasileiro, resgatando, assim, um dos símbolos mais belos da pátria.
Tanto o Hino Nacional Brasileiro como a Bandeira Brasileira são sempre lembrados nas Copas do Mundo e nas Olimpíadas, ocasiões em que os brasileiros fazem questão de desfraldar ininterruptamente a flâmula verde-amarela e deixar escapar dos lábios, ainda que erroneamente, alguns versos do hino pátrio.
Os brasileiros temos o dever não só de cantar corretamente o Hino Nacional, mas também de compreender a letra em todos os seus aspectos linguísticos.
Geralmente os professores analisam todos os gêneros textuais - romance, crônica, poesia, publicidade, ensaio -, mas se esquecem de interpretar com os alunos a riqueza do léxico e da sintaxe que há na letra do Hino Nacional Brasileiro.
Hino é um poema ou canto lírico de invocação ou adoração, que celebra uma divindade, um herói ou um acontecimento histórico. E a letra do Hino Nacional Brasileiro resgata fatos da Independência do Brasil, numa alusão ao grito "Independência ou Morte"; cita o Cruzeiro do Sul, símbolo que se faz presente no Brasão da República Federativa do Brasil; o nosso país, metaforizado em "florão", é um dos principais países da América, o Novo Mundo, destacando-se como enfeite em forma de flor.
Ao criar a letra, Joaquim Osório Duque Estrada escreveu "O lábaro que ostentas estrelado, / E diga o verde-louro dessa flâmula", fazendo-nos apreender o sentido das palavras lábaro e flâmula como sinônimos de bandeira, e levando-nos à compreensão de que a bandeira brasileira possui um círculo azul repleto de estrelas e o verde-amarelo simboliza as grandes conquistas da nação - frutos das lutas e das revoluções do passado - e sugere a contribuição da paz, no futuro.

MORFOSSINTAXE
Embora muitas pessoas entendam como sujeito indeterminado, no início da letra, o autor emprega as margens plácidas do Ipiranga como sujeito simples, personificando-as: "As margens plácidas do Ipiranga ouviram o brado retumbante de um povo heroico", acentuando a participação do povo brasileiro na sua independência.
Já em "Brasil, ó pátria amada, tu és terra adorada entre outras mil", percebe-se que o interlocutor - como nas demais partes - é sempre o próprio país, empregado como vocativos em "Brasil" e "ó pátria amada". Além da hipérbole e da zeugma em "terra adorada entre outras mil (terras)".
"Se o penhor dessa igualdade
Conseguimos conquistar com braço forte

Em teu seio, ó liberdade,
Desafia o nosso peito a própria morte!"
A inversão é marcante nesta estrofe, em que o sujeito "o nosso peito" aparece no quarto verso. Passando esses versos para a ordem direta, teremos: "O nosso peito desafia a própria morte, em teu seio, ó liberdade, se conseguimos conquistar o penhor dessa igualdade com braço forte".
"Nosso céu tem mais estrelas,
Nossas várzeas têm mais flores,
Nossos bosques têm mais vida,
Nossa vida mais amores."

Gonçalves Dias
Há o emprego da metonímia (= contiguidade) em "com braço forte" e "Desafia o nosso peito"; da metáfora(=similaridade) em "em teu seio" e da apóstrofe (chamamento) em "ó liberdade".

INTERTEXTUALIDADE
O ufanismo foi uma das características do Romantismo, quando os poetas, principalmente da geração nacionalista, deveriam exaltar as coisas belas do povo e da terra brasileiros. Daí o belíssimo exemplo de intertextualidade explícita que Duque Estrada utilizou na letra, citando dois versos do romântico Gonçalves Dias, em sua poesia Canção do Exílio:"Nosso céu tem mais estrelas, / Nossas várzeas têm mais flores, / Nossos bosques têm mais vida, / Nossa vida mais amores", em que o poeta expressa saudade e nostalgia, referindo-se à beleza e à alegria que existem em nossa natureza (lá) em contraste com o seu exílio em Portugal (aqui).
Do que a terra mais garrida
Teus risonhos, lindos campos têm mais flores;
"Nossos bosques têm mais vida",
"Nossa vida" no teu seio "mais amores".
Explica-se o emprego das aspas na citação dos versos do poeta romântico.
Os poetas Vinícius de Moraes e Carlos Drummond de Andrade criaram poemas com alusões ao Hino Nacional Brasileiro. Essa intertextualidade faz com que as pessoas percebam a pujança que há na letra e passem a valorizar mais os símbolos da pátria, sempre visando a uma aprendizagem ética, crítica e reflexiva.
"Trabalho com a ética tem como objetivo o reconhecimento de que as atitudes das pessoas precisam ser pautadas por princípios de respeito, justiça, solidariedade e diálogo, que devem estar expressos na ação cotidiana da escola."

LINGUAGEM FIGURADA
Uma vez que o hino celebra um acontecimento histórico, há necessidade de reconhecer e analisar a linguagem conotativa utilizada pelo autor, oferecendo-nos dezenas de figuras de linguagem que embelezam o texto, dando brilho e destaque ao enunciador que dialoga constantemente com o Brasil, cognominando-o de "Ó Pátria amada", "Gigante pela própria natureza", "impávido colosso", "Terra adorada", "florão da América", conferindo-nos a prosopopeia e a apóstrofe que aparecem na letra.
A letra do Hino Nacional é repleta de linguagem figurada. Tomemos como exemplo a estrofe:
"Brasil, um sonho intenso, um raio vívido,
De amor e de esperança à terra desce,
Se em teu formoso céu, risonho e límpido
A imagem do Cruzeiro resplandece."
Temos a ordem direta: "Brasil, um sonho intenso, um raio vívido de amor e de esperança desce à terra, // se a imagem do Cruzeiro resplandece em teu formoso céu, risonho e límpido". Nestas duas orações, temos um paralelismo sintático, formado pela sequência sujeito, verbo e adjunto adverbial.
Destaca-se a inversão em toda a estrofe; a apóstrofe em "Brasil"; a prosopopeia em "formoso céu risonho" e ametonímia em "A imagem do Cruzeiro resplandece".
CURIOSIDADES
Vale lembrar que a música, composta por Francisco Manuel da Silva, foi executada pela primeira vez em 1831; e a letra, de autoria de Joaquim Osório Duque Estrada, tornou-se conhecida somente em 1909, aprovada pelo Congresso Nacional em 1912. Talvez isso justifique o grande número de inversões na letra do hino pátrio. O Hino Nacional Brasileiro tornou-se oficial, por Decreto, em 06-11-1922.
A junção de "nosso hino" (= suíno) forma um vício de linguagem denominado cacofonia (qualquer sequência silábica intervocálica que provoque som desagradável). Devemos, portanto, sempre fazer referência ao Hino Nacional Brasileiro.
Após a execução do Hino Nacional Brasileiro, não devem ocorrer aplausos, como é de costume em comemorações festivas. Consoante o professor Dalmo de Abreu Dallari (Revista Nova Escola, maio/2000), "O Hino é a expressão de todos os brasileiros - em última análise, a pessoa aplaude a si mesma".

CONSIDERAÇÕES FINAIS
Na mídia brasileira atual, notamos uma valorização cada vez maior da língua portuguesa, não somente em programas televisivos, como também em revistas específicas de língua portuguesa e no Museu da Língua Portuguesa, em São Paulo.
A Secretaria da Educação do Estado de São Paulo publicou no Diário Oficial, no dia 04-07-2002, um Comunicado SE, com o seguinte teor:
"Dentre as ações previstas no Mutirão da Cidadania, esta Secretaria propõe que as Unidades Escolares incluam nas suas atividades semanais a entoação do Hino Nacional e o Hasteamento da Bandeira, com o objetivo de estimular a criação de espaços voltados à vivência de uma escola cidadã.
Por meio dessa atividade, os educadores poderão enfatizar a riqueza e a grandiosidade dos símbolos nacionais que favorecem a aquisição da consciência da cidadania pelos alunos."
Como escrevi em um artigo científico (2001), "a educação para a cidadania requer que questões sejam apresentadas para a aprendizagem e a reflexão dos alunos, buscando um tratamento didático que contemple sua complexidade e sua dinâmica". Acrescentei, ainda, que o "trabalho com a ética tem como objetivo o reconhecimento de que as atitudes das pessoas precisam ser pautadas por princípios de respeito, justiça, solidariedade e diálogo, que devem estar expressos na ação cotidiana da escola".
E é apenas com a educação que poderemos mudar as pessoas e conscientizá-las de que o estudo, a cultura e a aprendizagem são imprescindíveis para que o indivíduo saiba portar-se como ser humano e fazendo com que cada cidadão trate o outro como cidadão.
O Prof. Dr. José Carlos Garcia de Freitas (Batatais- SP) escreveu na apresentação do meu livro: "O homem é um ser pluridimensional pensante. Nesta condição, é o único ser capaz de produzir cultura, em decorrência de possuir inteligência. A linguagem é uma das características fundamentais da nossa identidade cultural. Nesse sentido, temos os símbolos que se expressam também através da linguagem. O Hino Nacional é um dos grandes símbolos representativos da nossa produção cultural. Oportuna e muito genuína a obra literária Hino Nacional Brasileiro: Análise e Compreensão, do Prof. Dr. Luiz Roberto Wagner. Assim, o autor nos leva a uma viagem cultural através da essência mais recôndita do Hino Nacional. Uma verdadeira produção cultural... uma comunicação direta através da linguagem natural".


*Luiz Roberto Wagner é Doutor em Letras pela UNESP de Araraquara-SP e autor do livro Hino Nacional Brasileiro: Análise e Compreensão.


sexta-feira, 27 de junho de 2014

800 anos o mais antigo documento escrito em Português

Nos 800 anos da língua portuguesa, a Torre do Tombo exibe o Testamento de D. Afonso II, o mais antigo documento escrito na nossa língua.
É um dos tesouros guardados na casa-forte da Torre do Tombo e que está hoje em exibição, para assinalar os 800 anos da língua portuguesa.
Com data de 27 de junho de 1214, o Testamento de D. Afonso II teve 13 cópias, mas apenas duas sobreviveram até aos nossos dias: uma encontra-se na Torre do Tombo, a outra nos arquivos da Catedral de Toledo.
A chefe de Divisão de Tratamento Técnico Documental e Aquisições da Torre do Tombo, Fátima Ó Ramos, explica que se pretende mostrar a “caminhada” da língua portuguesa iniciada no século IX.
Por isso, além do Testamento de D. Afonso II, vão estar também em exibição dois documentos de 1175: Notícia dos fiadores e Notícia de torto, nos quais se destaca a mistura do Latim com palavras “aportuguesadas”.
Os três documentos podem ser vistos esta sexta-feira, na Torre do Tombo, em Lisboa, até às 19:30.
Manifesto
“A língua que falamos não é apenas comunicação ou forma de fazer um negócio. Também é. Mas é muito mais.
É uma forma de sentir e de lembrar; um registo, arca de muitas memórias; um modo de pensar, uma maneira de ser – e de dizer. É espaço de cultura, mar de muitas culturas, um traço de união, uma ligação. É passado e é futuro; é história. É poesia e discurso, sussurro e murmúrios, segredos, gritaria, declamação, conversa, bate-papo, discussão e debate, palestra, comércio, conto e romance, imagem, filosofia, ensaio, ciência, oração, música e canção, até silêncio. É um abraço. É raiz e é caminho. É horizonte, passado e destino.
Na era da globalização, falar português, uma das grandes línguas globais do planeta, que partilha e põe em comum culturas da Europa, das Américas, de África e da Ásia e Oceânia, com centenas de milhões de falantes em todos os continentes, é um imenso património e um poderoso veículo de união e progresso.
Em 27 de Junho de 2014, passam oitocentos anos sobre o mais antigo documento oficial conhecido em língua portuguesa, a nível de Estado – o mais antigo documento régio na nossa língua, o testamento do terceiro rei de Portugal, Dom Afonso II.
Neste dia, queremos festejar esses oito séculos da nossa língua, a língua do mar, a língua da gente, uma grande língua da globalização. Fazêmo-lo centrados nesse dia e ao longo de um ano, para festejar com o mundo inteiro esta nossa língua: a terceira língua do Ocidente, uma língua em crescimento em todos os continentes, uma das mais faladas do mundo, a língua mais usada no Hemisfério Sul. Celebramos o futuro.
Em qualquer lugar onde se fala Português, 27 de Junho de 2014”
 http://blog.opovo.com.br/portugalsempassaporte/faz-hoje-800-anos-o-mais-antigo-documento-escrito-em-portugues-tesouro-esta-exposto-pela-torre-to

quarta-feira, 18 de junho de 2014

sábado, 14 de junho de 2014


Este é o mote: vote. Luis Fernando Verissimo

“Talvez a esperança seja não a destruição de ônibus, a quebradeira de lojas, a insensatez desatada, mas o gesto mais simples, breve, transformador, desde que a gente saiba o que está fazendo: o ‘voto’” (Ilustração: Atômica Studio) PODEMOS SER MAIS DIGNOS? PODEMOS Lya Luft







Este é o mote: vote. Luis Fernando Verissimo 

Este é o mote: vote.
Estamos todos no mesmo bote.
Vote.
Escolha o menos fracote
e vote.
Já não se votou no Lott?
Pois vote.
Não anule nem faça trote.
Vote.
Pelas barbas do Quixote,
vote!
Não picote o papelote.
Vote.
Tire os nomes de um pote.
Ou do decote.
Mas vote.
Não passa na glote?
Não faz mal.
Vote.
Você preferia ficar em casa ouvindo o Concerto em Dó Maior de
Johann Gottfried Munthel para Orquestra, Baixo Contínuo e
Fagote?
Tomando um scotch?
Esquece.
Vote.
Vote em sacerdote,
Ou em hotentote.
Mas vote.
Vote me cocote.
(Mas não em iscariote.)
Mas vote.
Não fique aí pensando to be or not.
Vote!
E, se no fim faltar rima, não se apague.
Sufrague.

quarta-feira, 11 de junho de 2014

BINGO DAS CLASSES GRAMATICAIS

Segue uma sugestão para o trabalho com as classes gramaticais. É um bingo, onde o aluno receberá uma cartela com frases diversas, sendo que em cada uma delas, há diferentes termos marcados. Com o sorteio das classes - substantivos, adjetivos, preposições, etc.. - o aluno observa sua cartela e analisa os termos sublinhados, marcando-os conforme a combinação feita. Determine se o bingo vai ser em L, T, as colunas laterais, etc. Vence o aluno que conseguir marcar primeiro a sua cartela.
Abaixo um exemplo de cartela. 


A alegria não está nas coisas: está em nós. (Goethe)




amizade é como as estrelas. Não as vemos toda hora, mas sabemos que existem. (Marina de Almeida Camargo)
A amizade é um amor que nuncamorre
(Mário Quintana)
A arte da vida consiste em fazer da vida uma obrade arte. 
(Mahatma Gandhi)
A mente que se abre a uma novaidéia jamais volta ao seu tamanho original. 
(Albert Einstein)
Nós somos feitos do tecido de que são feitos ossonhos.

A vida é apenas um tempinhohorroroso cheio de momentosdeliciosos. (Oscar Wilde)
A vida é uma oportunidade de amar. Porém, o amor é a única chance de viver. (Eduardo de Lucca)
A vida é uma viagem a trêsestações: ação, experiência e recordação. (Julio Camargo)
Talvez as melhores amizades sejam aquelas em que haja muita discussão, muita disputa e mesmo assim muito afeto. (George Eliot)
É preciso amar aspessoas como se não houvesse amanhã, porque se você parar para pensar, na verdade não há. (Renato Russo)

Olha novamente: não existem brancos, não existem amarelos, não existem negros: somos todos arco-íris. (Ulisses Tavares)



BINGO 
DAS 
CLASSES GRAMATICAIS
Os espinhos que me feriram foram produzidos peloarbusto que plantei.
Não faça aosoutros, o que você não quer que seja feito a você. (Confúcio)
siu! Não acordem as crianças.







Conhece-te a timesmo. (Sócrates)
Crê nos que buscam a verdade.Duvida dos que a encontraram. (André Gide)
Difícil dizer o que é verdade, mas às vezes é fácil identificar a mentira. (Albert Einstein)
Devemos prosperar pormerecimento, e não por proteção. (Plauto)
A sorte é um acaso, a felicidade, uma vocação. (Alexandru Vlahuta)

A tristeza é um muro entre doisjardins. 
(Khalil Gibran)
A única coisa que interfere com meuaprendizado é aminha educação. (Albert Eisntein)
Quando deixamos de contribuir, começamos a morrer. (Eleanor Roosevelt)
Ah, porque estou tão sozinho
Ah, porque tudo é tão triste...
(Vinícius de Moraes)
  Faça diversas delas, com diferentes frases, ou, utilize as mesmas frases e disponha-as em lugares diferentes. Você pode ainda, utilizar as mesmas frases e marcar diferentes palavras em cada uma delas. 
Um excelente site com frases que podem ser utilizadas é http://www.frasesepensamentos.net/. 
Faça também o nome das classes gramaticais para o sorteio. Reproduza a quantidade necessária.


SUBSTANTIVO

ADJETIVO
NUMERAL
ARTIGO
PREPOSIÇÃO
PRONOME

CONJUNÇÃO
VERBO
INTERJEIÇÃO 
ADVÉRBIO

MUITA EMOÇÂO !!

EU TE AMO MEU BRASIL

VAI TER COPA, SIM !

https://www.facebook.com/euquerominhabiblioteca

EU FICO COM O CRAQUE DA LITERATURA Nº 10 !
 

sexta-feira, 6 de junho de 2014

VOCÊ ENTENDE O HINO NACIONAL BRASILEIRO ?

 

 O Hino Nacional Brasileiro, símbolo de exaltação à pátria, é uma canção bastante complexa. Além de possuir palavras pouco usuais, sua letra é rica em metáforas. O texto segue o estilo parnasiano, o que justifica  a presença de linguagem rebuscada e de inversões sintáticas, que dificultam a compreensão da mensagem. Assim, a priorização da beleza da forma na elaboração do hino fez com que a clareza ficasse comprometida. 
   Você, que já sabe cantar o hino nacional, conhece-o pela melodia e musicalidade ou pelo sentido que a mensagem representa? A maioria das pessoas, apesar de ter domínio da letra, desconhece seu significado. Veja a seguir o hino nacional. Observe as palavras em destaque e suas definições em parênteses. É provável que você se surpreenda com as informações que sempre proclamou, sem, de fato, estar ciente disso.

Parte I
Ouviram do Ipiranga as margens plácidas (calmas, tranquilas, serenas)
De um povo heroico o brado (grito, clamor) retumbante (que ressoa, ecoante)
E o sol da liberdade (independência), em raios fúlgidos (brilhantes, luminosos),
Brilhou no céu da Pátria nesse instante.
Parte II
Deitado eternamente em berço esplêndido (admirável, grandioso),
Ao som do mar e à luz do céu profundo,
Fulguras (cintilas, brilhas), ó Brasil, florão (ornato, enfeite) da América,
Iluminado ao sol do Novo Mundo!
Se o penhor (direito) dessa igualdade
Conseguimos conquistar com braço forte (com nossa firmeza),
Em teu seio (interior, âmago), ó liberdade,
Desafia o nosso peito (coração) a própria morte!
Do que a terra, mais garrida (vistosa),
Teus risonhos, lindos campos têm mais flores,
"Nossos bosques têm mais vida",
"Nossa vida" no teu seio "mais amores."
Ó Pátria amada,
Idolatrada (adorada, venerada, amada),
Salve! Salve!
Ó Pátria amada,
Idolatrada,
Salve! Salve!
Brasil, um sonho intenso, um raio vívido (brilhante, resplandecente)
De amor e de esperança à terra desce,
Se em teu formoso (belo) céu, risonho (repleto de promessas) e límpido (claro),
A imagem do Cruzeiro (constelação Cruzeiro do Sul) resplandece (brilha).
Brasil, de amor eterno seja símbolo
O lábaro (bandeira) que ostentas (exibes) estrelado,
E diga o verde-louro (amarelo) dessa flâmula (bandeira)
- Paz no futuro e glória no passado.
Gigante pela própria natureza (desde que nasceste),
És belo, és forte, impávido (destemido) colosso (gigante)
E o teu futuro espelha (refletirá) essa grandeza.
Mas, se ergues da justiça a clava (arma) forte,
Verás que um filho teu não foge à luta,
Nem teme, quem te adora, a própria morte.
Terra adorada,
Entre outras mil,
És tu, Brasil,
Ó Pátria amada!
Terra, adorada,
Entre outras mil,
És tu, Brasil,
Ó Pátria amada!
Dos filhos deste solo és mãe gentil (generosa),
Pátria amada,
Brasil!
Dos filhos deste solo és mãe gentil,
Pátria amada,
Brasil!
Letra: Joaquim Osório Duque Estrada / Música: Francisco Manuel da Silva


Saiba mais:
Sobre os autores
Joaquim Osório Duque Estrada nasceu em Pati do Alferes (RJ) em 1870 e faleceu em 1927, no Rio de Janeiro. Além de atuar como professor do Colégio D. Pedro II e da Escola Normal, foi poeta e crítico literário.
Francisco Manuel da Silva nasceu em 1795 no Rio de Janeiro, onde faleceu em 1865. Dedicou-se à música desde a infância, fundando a Sociedade Beneficente Musical e o Conservatório de Música do Rio de Janeiro.                                 
Estilo do texto
Trata-se de um texto parnasiano, que privilegia a forma mesmo com sacrifício da clareza da mensagem, gerando dificuldades de compreensão. Para isso, colaboram o preciosismo vocabular e as frequentes inversões da ordem do discurso, tão ao gosto dos acadêmicos do final do século XIX, mas distantes do universo das gerações atuais.
Parnasianismo e Romantismo
Sabe-se que a forma do poema é rigorosamente parnasiana, porém o seu conteúdo é romântico, inserindo-se nas propostas dessa escola literária no que se refere à exaltação ufanista. 
Canção do Exílio
Na segunda parte do hino, os trechos que estão entre aspas foram extraídos do poema Canção do Exílio, de Gonçalves Dias.
300 anos sem hino
Desde o descobrimento, o Brasil demorou mais de 300 anos para ter um hino. Em 1831, Francisco Manuel da Silva compôs a melodia. A letra veio 91 anos mais tarde. Após várias opções não terem sido aprovadas pelos portugueses, em 1922, o presidente Epitácio Pessoa declarou o texto de Osório Duque Estrada como letra oficial do hino nacional brasileiro.
50 versos
A  letra do hino nacional possui ao todo 50 versos, distribuídos em duas partes rigorosamente simétricas, tanto na métrica como no ritmo.

Versão Simplificada
Você sabia que existem diversas versões que tentam simplificar o hino nacional brasileiro, a fim de facilitar o entendimento da mensagem? Observe, por exemplo, a versão abaixo:
As margens tranquilas do riacho Ipiranga ouviram
Um grito muito forte de um povo heroico,
E, nesse instante,
O sol da liberdade brilhou no céu do Brasil,
Com seus raios muito cintilantes.

Nós conseguimos conquistar, com muitas lutas,
A garantia de sermos iguais aos outros.
Ó Liberdade,
Desafiamos a própria morte
Quando estamos junto a ti.
Viva! Viva!
País amado e adorado.
Brasil, um sonho forte, como um raio muito luminoso,
De amor e de esperança desce à terra,
Se a imagem das estrelas do Cruzeiro do Sul,
Brilha em teu céu bonito, risonho e claro.
Pela sua própria natureza és um gigante,
Gigante corajoso, és belo, és forte,
E o teu futuro vai ser grande como tu.
Brasil, Pátria querida,
Entre tantas outras nações,
Tu és a mais adorada.
Brasil, Pátria amada,
És a mãe querida dos filhos
Que nasceram aqui!
Localizado para sempre em terras magníficas,
Banhado por um oceano e pela luz de um céu imenso,
Brilhas, Brasil, joia das Américas,
Iluminado com o sol deste Continente.

Teus campos, risonhos e lindos,
Têm mais flores do que a terra mais enfeitada.
Nossas florestas têm mais vida.
Nossa vida mais amores,
Quando estamos junto de ti.
Viva! Viva!
País amado e adorado.
Brasil, que a tua bandeira estrelada
Seja um símbolo de amor eterno!
E que o verde-amarelo desta bandeira diga:
"Nós temos glórias no passado e no futuro teremos paz".
Mas se levantares a arma forte da justiça,
Verás que um brasileiro não foge de uma luta!
E quem te adora não tem medo nem da morte.
Brasil, Pátria querida,
Entre tantas outras nações,
Tu és a mais adorada.
Brasil, Pátria amada,
És a mãe querida dos filhos
Que nasceram aqui!

quinta-feira, 5 de junho de 2014

 
Se eu fosse pintor,
começaria a delinear
este primeiro plano de trepadeiras entrelaçadas,
com pequenos jasmins e grandes campânulas roxas,
por onde flutua uma borboleta cor de marfim,
com um pouco de ouro nas pontas das asas.
Mas logo depois,
entre o primeiro plano e a casa fechada,
há pombos de cintilante alvura,
e pássaros azuis tão rápidos
e certeiros que seria impossível deixar de fixá-los,
para dar alegria aos olhos
dos que jamais os viram ou verão.
Mas o quintal da casa abandonada
ostenta uma delicada mangueira,
ainda com moles folhas cor de bronze
sobre a cerrada fronde sombria,
uma delicada mangueira,
repleta de pequenos frutos,
de um verde tenro,
que se destacam do verde-escuro
como se estivessem ali
apenas para tornar a árvore um ornamento vivo,
entre os muros brancos,
os pisos vermelhos,
o jogo das escadas e
dos telhados em redor.
E que faria eu, pintor,
dos inúmeros pardais que pousam
nesses muros e nesses telhados,
e aí conversam, namoram-se, amam-se,
e dizem adeus,
cada um com seu destino,
entre a floresta e os jardins,
o vento e a névoa?
Mas por detrás estão as velhas casas,
pequenas e tortas,
pintadas de cores vivas,
como desenhos infantis,
com seus varais carregados de toalhas de mesa,
saias floridas,
panos vermelhos e amarelos,
combinados harmoniosamente
pela lavadeira que ali os colocou.
Se eu fosse pintor, como poderia
perder esse arranjo,
tão simples e natural,
e ao mesmo tempo de tão admirável efeito?
Mas, depois disso, aparecem várias fachadas,
que se vão sobrepondo umas às outras,
dispostas entre palmeiras e arbustos vários,
pelas encostas do morro.
Aparecem mesmo dois ou três castelos,
azuis e brancos,
e um deles tem até,
na ponta da torre,
um galo de metal verde.
Eu, pintor,
como deixaria de pintar tão graciosos motivos?
Sinto, porém, que tudo isso
por onde vão meus olhos,
ao subirem do vale à montanha,
possui uma riqueza invisível,
que a distância abafa e desfaz:
por detrás dessas paredes,
desses muros,
dentro dessas casas pobres e
desses castelinhos de brinquedo,
há criaturas que falam, discutem,
entendem-se e não se entendem,
amam, odeiam, desejam,
acordam todos os dias com mil perguntas e
não sei se chegam à noite com alguma resposta.
Se eu fosse pintor,
gostaria de pintar esse último plano,
esse último recesso da paisagem.
Mas houve jamais algum pintor
que pudesse fixar esse móvel oceano,
inquieto, incerto,
constantemente variável
que é o pensamento humano?
Cecília Meireles


TESTE DE LUGAR-COMUM / JÔ SOARES

IMITE JÔ SOARES : ESCREVA 10 SUBSTANTIVOS E A SEGUIR PROCURE RELACIONAR OS ADJETIVOS OU LOCUÇÕES QUE NORMALMENTE SÃO UTILIZADOS PARA QUALIFICÁ-LOS. ESSA ATIVIDADE PODE SER FEIRA EM GRUPOS, COM O USO DO QUADRO NEGRO, SLIDES......

terça-feira, 3 de junho de 2014

PLANO DE AULA COM O TEXTO : MISTÈRIOS DE AMOR

  • É o beija-flor que beija a flor

  • ou é a flor que beija o beija-flor?


PAES, José Paulo. Mistério de amor. São Paulo: Ática, [s.d.]

Professor, primeiramente entregue o texto ilustrado aos alunos e oriente-os para
que observem, atentamente, o título, a ilustração e o texto construído em forma de pergunta.
Após esse primeiro contato de familiarização com o texto e todo o conjunto que
complementa a mensagem, comece indagando com eles sobre
O TÌTULO

O que é um mistério?
Quem conhece algum mistério?
Como descobrir um mistério?
Alguém na classe já desvendou algum mistério?
Que livros ou filmes já leram que fala sobre mistério?
Por que, afinal, o texto se chama “Mistério de amor”?
Que outro título poderia ser dado a esse texto?

A ILUSTRAÇÂO

O que há de comum entre a flor e o beija-flor? Ou seja, o que está presente na flor
que também está no beija-flor?
Nesse momento é importante que o professor incentive para que todos os alunos
façam a sua leitura e a socializem com os demais, refletindo com eles sobre a resposta
de cada um. Com certeza os alunos perceberão o que há de comum entre o pássaro e a
flor. Notarão a cor vermelha e a cor verde que perpassa os dois. Com a identificação
desses detalhes, pode-se conversar com os alunos sobre o significado das cores,
principalmente da cor vermelha.
O professor ainda pode fazer ver a abertura das pétalas da flor e das asas do beijaflor,
interpretando com eles que a ação de ir ao encontro e de receber o outro é reciproca,
isto é, ambos vão ao encontro.
Após a leitura da imagem e da reflexão que os elementos analisados
desencadearam, o professor deve novamente solicitar aos alunos que observem
demoradamente a ilustração, que reflitam sobre as respostas discutidas e digam se a
imagem permite responder à pergunta do autor. Esse 
questionamento é relevante


no sentido de discutir os diferentes pontos de vista, bem como a importância da
argumentação para defesa das idéias de cada um. Seria interessante que cada aluno
registrasse no caderno a sua opinião. Em seguida, o professor pode escrever no quadronegro
algumas opiniões e fazer a reestruturação dos pequenos textos coletivamente.

É o beija-flor que beija a flor porque ________________________?
É a flor que beija o beija-flor porque ________________________?
Ou ainda
_________________________________________________
Como se pode perceber, a ênfase nesta unidade está no trabalho 
de leitura a partir
da análise coletiva e também da produção coletiva de textos, com mediação intensiva
do professor, visto que essa prática auxilia de forma mais efetiva os alunos que têm
dificuldade em leitura e escrita. Vale lembrar, neste momento, que a reestruturação coletiva
de pequenos textos possibilita o trabalho simultâneo entre código (forma) e significado
(contéudo). A título de complementação, é bom lembrar que para os alunos que apresentam
dificuldade na leitura, seja no que se refere à decodificação, compreensão, ou mesmo à
fluência, ritmo e entonação, é relevante dar ênfase, de início, ao trabalho com textos
curtos, lúdicos, como poesias, contos, quadrinhas, piadas, músicas, entre outros.

O TEXTO E AS ATRIBUIçOES DE SENTIDO

As entrelinhas do texto nos permitem perceber que o autor fala de um encontro
amoroso. 

Que conclusões podemos tirar a partir do texto e de todo conjunto que o
compõe?

Nessa etapa da leitura, os alunos já têm elementos para perceber que, na verdade,
o autor fala do encontro amoroso. Com os procedimentos de leitura sugeridos até agora,
eles têm condições de compreender que o autor teve a intenção de falar sobre o ato
amoroso e a reciprocidade, a cumplicidade que a ação de amar implica. Desse modo,
eles percebem que a resposta da pergunta feita no texto pode ser dada por meio de uma
leitura capaz de extrapolar e transcender o material escrito.

A ORGANIZAÇÂO DO TEXTO

O texto poético que estamos analisando apresenta recursos expressivos que
também auxiliam na construção de significados

. No poema de José Paulo Paes, percebese
pela leitura que há uma certa musicalidade, expressa pela repetição do fonema /b/.

Se lermos o texto em voz alta (leitura com ritmo, fluência e entonação), perceberemos
isso facilmente.

Nesse propósito, o professor pode estar enfatizando para os alunos o
som que o fonema /b/ produz, convidando-os para uma leitura em voz alta para depois
perguntar-lhes que som a repetição do referido poema representa. 

Com certeza, a sonoridade do poema lhes fará perceber que há uma representação do som do beijo.

Além das dimensões semânticas e fonológica que foram discutidas até agora, é
necessário que se observe ainda nesse texto a dimensão sintática e sua importância na
construção da mensagem

. Sugere-se que, para explorar o texto nessa dimensão, perguntese
aos alunos sobre o sujeito e o objeto da primeira oração: “É o beija-flor que beija a
flor...” e da segunda oração ... “ou é a flor que beija o beija-flor ?” 

Os alunos perceberão
que na primeira oração beija-flor é sujeito e flor é objeto, e o contrário, na segunda. 
Todavia,
é preciso que o professor relacione esse fato com a mensagem e a intenção do autor.

Tanto o beija-flor como a flor são sujeito e objeto ao mesmo tempo. Se a temática do
texto é o encontro amoroso, no qual o beija-flor e a flor constituem-se numa metáfora do
amor, o professor pode estar confirmando com a turma os significados dos textos para
os leitores.

Como já sabemos: ambos vão ao encontro. Pode-se refletir com a turma que
no amor e na amizade também é assim.