sexta-feira, 5 de setembro de 2014





Comentando:
1) O poema começa com uma paráfrase do provérbio “uma andorinha sozinha não faz verão”.
2) “Tecer”, “abrir”, “começar”, “costurar”, “pintar”, “unir”, “fiar” e “entrelaçar”, são os verbos que dão o sentido de uma "tecimento" coletivo de muitos autores anônimos.
3) A metáfora mais saliente parece estar ligada a "tecer". Tecido por todos, ganha forma e construe a tenda para todos, (para se abrigar do sol?).
4) Na 1ª estrofe a presença de “galo/galos” está presente em todos os versos, exceto nos versos 3, 6, 9 (múltiplos de 3? ), inclusive produzindo as rimas finais colabora na construção de sentido de movimento, de construção do tecido, “um grito de galo” que vai passando de um a outro, tecendo a manhã (amanhã ?).
5) Meus preferidos: “ se cruzem / os fios de sol de seus gritos de galo”; " se erguendo tenda, onde entrem todos"; "se entretendendo para todos".
6) Neologismo: “entretendendo”. Divertir fazendo tendas?
7) O poema é composto por 120 palavras, das quais 7 palavras são "galo(s)". Repete a palavra "todos" 4 vezes, "manhã" e "toldo" 2.
8) Há 484 caracteres no poema, dos quais 31 são a letra "t". Somente o verso 14 não possui "t": "(a manhã) que plana livre de armação" [o amahã sem tramas?].
9) Repete o letra "g" 12 vezes espontaneamente, no entanto, a repetição da letra "t" parece intencional.
10) A palavra "outros" é repetida 6 vezes na 1ª estrofe. A construção do "tecido" depende dos outros.
11) Ele não usa o "canto" do galo, mas o "grito" do galo. Grito evoca alerta, protesto (principalmente da vítima), greves e levantes.

12) O galo é retratado como o trabalhador que constrói o futuro, a tenda protetora.

13) Estaria o poeta sonhando com um futuro construido por todos, livremente, para todos, isento de "armações", maracutaias e intrigas. Um mundo verdadeiramnete socialista?

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