segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

LITERATURA E CARNAVAL.................. COMBINAM ?



Mas uma coisa podemos afirmar: as escolas de samba adoram levar a literatura para avenida! Vejam só :  A ACADÊMICOS DO SALGUEIRO (  enredo Navio Negreiro foi o primeiro da história do carnaval carioca a colocar negros em destaque, tendo como tema o poema homônimo de Castro Alves.) :Em 1963, a BEIJA-FLOR DE NILÓPOLIS (  apresentou o enredo Peri e Ceci, personagens principais de O Guarani, romance de José de Alencar ) ;  PORTELA  ( teve como enredo um livro de Manoel Antônio de Almeida. Memórias de um Sargento de Milícias deu o título de campeã do carnaval carioca à Portela, naquele ano de 1966.); a ESTAÇÂO PRIMEIRA DE MANGUEIRA (  Primeira de   levou Monteiro Lobato para a avenida.) ;Em 1975, a PORTELA  (  leva, novamente, uma obra clássica da literatura brasileira para a avenida. A obra Macunaíma (Macunaíma, Herói de nossa Gente), publicada por Mário de Andrade em 1928, foi cantada e seu samba enredo foi o vencedor do Prêmio Estandarte de Ouro daquele ano.) ; Em 1988, a VAI-VAI ( tinha como enredo Amado Jorge, a História de uma Raça Brasileira.) ;Em 2005, a escola carioca IMPERATRIZ LEOPOLDINENSE (  homenageou aos 200 anos de nascimento do escritor dinamarquês de histórias infantis, Hans Christian Andersen.); A MOCIDADE INDEPENDENTE DE PADRE MIGUEL   (  homenageou o centenário da morte do escritor Machado de Assis (2009) e, posteriormente, incluiu uma homenagem a Guimarães Rosa no mesmo enredo, Clube Literário - Machado de Assis e Guimarães Rosa... Estrelas em poesia!.) ;No ano passado, o SALGUEIRO (   levou o livro para a Marquês de Sapucaí. Contou sua história, desde a da Antiguidade até os tempos modernos, com o enredo Histórias sem fim, apresentando na avenida Harry Potter, Emília, a barata de Kafka e outros personagens da literatura mundial.)


 Fazendo uma breve pesquisa sobre o tema, percebemos que os autores, suas obras e seus personagens são enredos decorrentes no carnaval.
A ACADÊMICOS DO SALGUEIROS    foi a primeira escola de que se tem registro a levar a literatura para a avenida. O enredo Navio Negreiro foi o primeiro da história do carnaval carioca a colocar negros em destaque, tendo como tema o poema homônimo de Castro Alves.
“[...]
Castro Alves, que também se inspirou
E em versos retratou
O navio onde os negros
Amontoados e acorrentados
Em cativeiro no porão da embarcação,
Com a alma em farrapo de tanto mau trato,
Vinham para a escravidão.
[...]”
Em 1963, a BEIJA-FLOR DE NILÓPOLIS   apresentou o enredo Peri e Ceci, personagens principais de O Guarani, romance de José de Alencar. Até hoje, considerado por muitos, o maior samba de todos os tempos da agremiação.
“[...]
Viemos apresentar
De José de Alencar
Esta obra-prima e fabulosa
Com cenas heróicas e amorosas
De um índio guarani
Peri que só pensava em existir
Vivendo para Ceci
[...]”
  a PORTELA   teve como enredo um livro de Manoel Antônio de Almeida. Memórias de um Sargento de Milícias deu o título de campeã do carnaval carioca à Portela, naquele ano de 1966.
“[...]
Personagem central da história
Que contamos neste carnaval
[...]
Nosso herói outra vez se apaixonou
Amando com sua viola a mulata Violinha
Essa singela modinha cantou”

Já em 1967, a ESTAÇÂO PRIMEIRA DE MANGUEIRA  Primeira de   levou Monteiro Lobato para a avenida. O Mundo Encantado de Monteiro Lobato foi o enredo que contou e cantou a história e a obra desse autor. A magia criada por Lobato deu à escola o título do carnaval daquele ano.
“[...]
Glória a este grande sonhador
Que o mundo inteiro deslumbrou
Com suas obras imortais
Vejam quanta riqueza exuberante
Na escritura emocionante
Com seus contos triunfais
Com seus personagens fascinantes
Nas histórias tão vibrantes
Da literatura infantil

Em 1975, a PORTELA   leva, novamente, uma obra clássica da literatura brasileira para a avenida. A obra Macunaíma (Macunaíma, Herói de nossa Gente), publicada por Mário de Andrade em 1928, foi cantada e seu samba enredo foi o vencedor do Prêmio Estandarte de Ouro daquele ano.

“[...]
Macunaíma fascinou
E ao luar se fez poema
Mas ao filho encarnado
Toda maldição legou
Macunaíma, índio branco, catimbeiro
Negro sonso, feiticeiro
Mata a cobra e dá um nó

[...]”Também as escolas de samba de São Paulo já homenagearam autores na avenida. Em 1988, a VAI-VAI tinha como enredo Amado Jorge, a História de uma Raça Brasileira. A vida e a obra do escritor baiano deu o título à comunidade do bairro Bixiga.
“[...]
Jorge Amado
Mestre na literatura
Fez da epopéia de um povo
A sua arte em romance de ternura
Olha a folha da mangueira
Aê Bahia
Quando venta cai no chão
Aê Bahia

Em 2005, a escola carioca IMPERATRIZ LEOPOLDINENSE   homenageou aos 200 anos de nascimento do escritor dinamarquês de histórias infantis, Hans Christian Andersen. Com o enredo Uma Delirante Confusão Fabulística, levou o mundo infantil para a avenida homenageando também o escritor brasileiro Monteiro Lobato, com alas e um carro sobre o Sítio do Picapau Amarelo.
“[...]
Era uma vez...
Em um mundo encantado, se prepare pra sonhar...
Contos de fadas, rainhas e reis
Roupas que o povo não pode enxergar
Os sapatinhos dançando sozinhos
Um rouxinol a cantar
Sereia menina, a bailarina...
Universo criado por um sonhador
E o menino venceu a pobreza
E fez da arte a linda princesa
Com quem viveu grande amor
[...]
A turma do sítio apronta
A imperatriz faz de conta
Emília cantando assim:
Vem viajar nessa história
É só dizer pirlimpimpim”

A MOCIDADE INDEPENDENTE DE PADRE MIGUEL    homenageou o centenário da morte do escritor Machado de Assis (2009) e, posteriormente, incluiu uma homenagem a Guimarães Rosa no mesmo enredo, Clube Literário - Machado de Assis e Guimarães Rosa... Estrelas em poesia!.

“[...]
Machado de Assis que fez da vida sua inspiração
um literato iluminado
As obras, um destino à superação
nos olhos da arte reflete o legado
do gênio imortal do bruxo amado
que deu ao jornal um tom verdadeiro
apaixonado pelo Rio de Janeiro

No ano passado, o SALGUEIRO   levou o livro para a Marquês de Sapucaí. Contou sua história, desde a da Antiguidade até os tempos modernos, com o enredo Histórias sem fim, apresentando na avenida Harry Potter, Emília, a barata de Kafka e outros personagens da literatura mundial.
“Sonhei... no infinito das histórias
Iluminando a memória, me encantei
Brilhou... realidade e fantasia
Como nunca imaginei
Na arte do saber um novo amanhecer
Divina criação, primeira impressão
O livro sagrado da vida
Virtude pra eternidade
A leitura estimulando
A mente da humanidade
[...]
Academia do samba é Salgueiro
No livro do meu carnaval”

As escolas de samba de Porto Alegre também já levaram a literatura para a avenida. Em 1981, a Estado Maior da Restinga, ganhou o terceiro lugar com o enredo De repente, Vinícius na Tinga. Em 95, Monteiro Lobato foi para a avenida e deu o título para a Imperadores do Samba e, em 2004, a vida e a obra de Luiz Coronel foi o enredo da União da Vila do IAPI.





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