terça-feira, 21 de abril de 2015

JÚRI SIMULADO : TIRADENTES, CULPADO OU INOCENTE ?


VOCÊ ACHA QUE COMPORTAMENTOS ALTRUÍSTAS SÃO INERENTES AO SER HUMANO OU SÂO ATITUDES QUE SE APRENDEM ? O SER HUMANO DEVE SEMPRE EXPRESSAR SUAS IDEIAS, MESMO QUE ELAS SEJAM CONDENÁVEIS PARA OS DEMAIS.
Objetivo: Envolver todos os alunos numa atividade de argumentação oral, operando informações que eles obtiveram durante as aulas de ARCADISMO e em outras pesquisas.
Apresentar argumentos coerentes com as idéias em conflito na época ( de um lado, as idéias Iluministas; do outro, as idéias Absolutista.
JÚRI SIMULADO
Para julgar é preciso conhecer. Assim, busquem informações sobre as idéias Iluministas do século XVIII, tentando encontrar respostas a perguntas como por exemplo: Quais as idéias básicas defendidas pelos Iluministas ? Para eles, quem deveria ser representante do povo ? Qual deve ser o papel do Estado ? Devem existir diferenças de direitos entre os homens ? O que é ser cidadão ? O que é uma lei ? E uma constituição ?
Por outro lado, essas questões eram encaradas antes do aparecimento do Iluminismo, ou seja, durante o Antigo Regime ? De que forma um Rei Absolutista como Luis XIV por exemplo responderia a essas mesmas questões?
Sugerimos como fontes de informações sobre essas idéias o livro O Iluminismo e os reis filósofos , de Luis R. Salinas (Brasiliense). E , sobre Tiradentes , os livros OS Sonhadores de Vila Rica- A Inconfidência Mineira de 1789, de Edgar Luis Barros (Atual) , e Inconfidência Mineira de Cândida Villares Gancho e Vera Vilhena de Toledo ( Ática).
NA BALANÇA: FATOS E ARGUMENTOS
Há muitos filmes em vídeos que tratam de justiça e tribunais. Procurem assistir alguns deles para saber como montar um julgamento e como trabalhar os fatos para argumentar bem.Por exemplo: Julgamento em West Point de Henry Moses; Juramento do Silêncio de Peter Levin; Testemunha de Acusação de Biller Wilder; A Testemunha de Peter Wei; Amistad de Spiellberg; 12 Homens e uma sentença de William Friedkin; Questão de honra de Rob Reiner e o Veredicto de Sidney Lumet.
QUEM SÂO AS PERSONAGENS ?
1- Todos os participantes vivem no final do século XVIII,momento em que ocorre o julgamento dos envolvidos na Inconfidência Mineira;
2- O juiz é um representante da Coroa Portuguesa que veio especialmente para esse julgamento;
3- O réu será acusado pelo advogado de acusação, de acordo com o modo secularmente se justificava uma sociedade de privilégios e de acordo com as leis então vigentes. Essas leis levam em conta não apenas o modelo de sociedade existente no Antigo Regime, mas também a garantia de dominação da Metrópole sobre a Colônia.
4- O advogado de defesa é uma pessoa, que, no íntimo, compactua com as idéias Iluministas que deram origem a Inconfidência Mineira, porém não pode se expor , senão ele também corre o risco de ser acusado de traição .
5- O réu TIRADENTES, assumiu toda a culpa da Inconfidência Mineira, mas sabe-se que ele não foi o único participante, nem o líder do movimento; Deve falar durante o julgamento apenas se for solicitado;
6- Testemunhas: serão chamadas várias pessoas para testemunhar, entre elas Tomás Antônio Gonzaga, Maria Doroteia ( a Marília ) e Alvarenga Peixoto;
7- Os jurados são “”homens do bem “”da sociedade da época: proprietários de terra, portugueses de nascimento ou descendentes diretos de portugueses. Alguns deles estudaram em Coimbra e conhecem de perto as idéias Iluministas.
MONTANDO O JÚRI SIMULADO
1 ) Em grupos pequenos de defesa e acusação, levantem argumentos. Todos devem se envolver nesse trabalho para poder julgar com segurança e conhecimento;
2 ) Elejam um (a) colega para interpretar o (a) juiz juíza); Lembrem : Um juiz deve manter a IMPARCIALIDADE, ou seja, não tomar partido nem contra, nem a favor do réu;
3) Escolham um colega para fazer o papel do réu, ou seja, de TIRADENTES;
4) Escolham o corpo de jurados: sete ou nove colegas;
5 ) Elejam os advogados de defesa e de acusação que já deverão ter escolhido e memorizado previamente alguns ARGUMENTOS para dar início ao julgamento;
6 ) Escolham testemunhas que poderão ser chamadas, no momento adequado , para depor a favor ou contra;
7) Escolham o público. Terminado o julgamento, o público poderá manifestar sua opinião , fazendo declarações a imprensa , por exemplo;
8 ) Não se esqueçam do grau de formalidade que a situação exige. Como provavelmente todos já viram cenas de tribunal em filmes; Procurem imitar as normas de conduta exigidas:atacar as interferências do juiz, dar a palavra ao outro, cortar a palavra do outro educadamente, no momento que perceber que o ARGUMENTO dele , não procede. Empregar o PADRÃO CULTO DA LÌNGUA;
9) Não se esqueçam: os jurados não falam; Os advogados falam dirigindo-se aos jurados e ao juiz, fazem perguntas ao RÉU e as testemunhas, mas não conversam entre si. O público apenas assiste ao julgamento; caso se manifeste, deve ser controlado pelo juiz e acatar seu pedido de silêncio.
10) Organizem a classe, posicionando o mobiliário de tal forma que imite um TRIBUNAL . Se possível, vistam-se a caráter.
CEREJA, William Roberto
Português: Linguagens , volume único/ William Roberto Cereja, Thereza Cochar Magalhães. – São Paulo: Atual, 2003.

segunda-feira, 6 de abril de 2015

A lenda do preguiçoso


 Diz que era uma vez um homem que era o mais preguiçoso que já se viu debaixo do céu e acima da terra. Ao nascer nem chorou, e se pudesse falar teria dito:
“Choro não. Depois eu choro”.
Também a culpa não era do pobre. Foi o pai que fez pouco caso quando a parteira ralhou com ele: “Não cruze as pernas, moço. Não presta! Atrasa o menino pra nascer e ele pode crescer na preguiça, manhoso”.
E a sina se cumpriu. Cresceu o menino na maior preguiça e fastio. Nada de roça, nada de lida, tanto que um dia o moço se viu sozinho no pequeno sítio da família onde já não se plantava nada. O mato foi crescendo em volta da casa e ele já não tinha o que comer. Vai então que ele chama o vizinho, que era também seu compadre, e pede pra ser enterrado ainda vivo. O outro, no começo, não queria atender ao estranho pedido mas quando se lembrou de que negar favor e desejo de compadre dá sete anos de azar...
E lá se foi o cortejo. Ia carregado por alguns poucos, nos braços de Josefina, sua rede de estimação. Quando passou diante da casa do fazendeiro mais rico da cidade, este tirou o chapéu, em sinal de respeito, e perguntou:
Quem é que vai aí? Que Deus o tenha!”
“Deus não tem ainda, não, moço. Tá vivo.”
E quando o fazendeiro soube que era porque não tinha mais o que comer, ofereceu dez sacas de arroz. O preguiçoso levantou a aba do chapéu e ainda da rede cochichou no ouvido do homem:
“Moço, esse seu arroz tá escolhidinho, limpinho e fritinho?”
“Tá não.”
“Então toque o enterro, pessoal.”
E é por isso que se diz que é preciso prestar atenção nas crendices e superstições da ciência popular.
Disponível em: . Acesso em: 08 set. 2010.

Ao introduzir esse texto com “Diz que era uma vez...”, o narrador
A) antecipa a ideia de um texto de conteúdo de base irreal.
B) isenta-se da responsabilidade sobre o que será narrado.
C) manifesta-se subjetivamente em relação aos fatos.
D) reproduz uma introdução tradicional dos contos de fada.

 Giba Pedroza

sábado, 4 de abril de 2015

PARA TRABALHAR ADJETIVOS

  O homem que veio à noite

Adjetivos bem selecionados têm o poder de determinar a atmosfera de um texto. Em histórias de terror, são eles que dão o tom assustador e ajudam a criar, nos leitores, as impressões necessárias para aceitar os fatos extraordinários
que serão narrados. Observe.
O homem que veio à noite
[...] Por dois dias, o vento soprou mais gelado e mais forte, com pancadas constantes de chuva, até que, na terceira noite, despencou sobre a Inglaterra a mais furiosa tormenta de que tenho lembrança. Os trovões ribombavam e faziam estremecer o céu, ao passo que os raios iluminavam todo o firmamento. O vento soprava a intervalos, ora soluçando de modo calmo, ora, num repente, esmurrando, aos uivos, as vidraças das janelas, até que o próprio vidro começava a chacoalhar na moldura. [...] Em que pesem a trovoada, a chuva e o vento, ainda assim escutei o barulho — o barulho surdo de uma pisada furtiva, ora na relva, ora nas pedras — que de vez em quando parava por completo, depois recomeçava, cada vez mais perto. Endireitei o corpo, assustado, a escutar o som fantasmagórico. As passadas pararam bem na porta e foram substituídas por ruídos arfados e resfolegantes de quem andara muito e depressa. Apenas a grossura daquela porta me separava desse sonâmbulo de passos leves e respiração pesada. Não sou nenhum covarde, porém a selvageria daquela noite, o vago aviso que eu recebera [“há um perigo rondando a sua casa e eu o aconselho a ter muito cuidado”] e a proximidade desse estranho visitante me deixaram tão apreensivo que eu seria incapaz de dizer alguma coisa, tão seca estava a minha boca. Estendi a mão, todavia, e agarrei meu sabre, com os olhos fixos na entrada da casinhola. Eu rezava em silêncio para que aquela coisa, ou o que quer que fosse, batesse na porta, ameaçasse, chamasse meu nome ou fornecesse alguma pista quanto a seu caráter. Qualquer perigo conhecido seria melhor do que aquele horrível silêncio, interrompido apenas pelos resfôlegos rítmicos. À luz fraca da lamparina em vias de apagar, vi o puxador da porta mexer, como se alguém estivesse exercendo uma pressão muito branda nele pelo lado de fora. Devagar, devagar, o trinco foi sendo liberado, até que se fez uma pausa de um quarto de minuto ou mais, em que continuei sentado, em silêncio, com os olhos esbugalhados e o sabre desembainhado. Em seguida, muito lentamente, a porta começou a girar nos gonzos e o ar cortante da noite entrou assobiando pela fresta. 

Doyle, Arthur Conan. O cirurgião de Gaster Fell. In: Manguel, Alberto (org.). Contos de horror do século XIX. Tradução: Beth Vieira. São Paulo: Companhia das Letras, 2005. p. 520-522. (Fragmento).
Ao longo do texto observamos o uso de adjetivos com três finalidades  referentes: criar a atmosfera de uma noite tempestuosa e assustadora (destacados em verde); introduzir os misteriosos sons ouvidos pelo narrador e caracterizar a chegada de um estranho amedrontador (destacados em rosa); descrever o estado do narrador e suas reações em função do pânico que se apodera dele após identificar a presença de alguém que tenta entrar na sua casa (destacados em laranja). A caracterização inicial do cenário — noite tempestuosa, ventos cortantes, barulho de trovões e raios — é o primeiro passo para o estabelecimento do tom assustador dessa narrativa. O narrador, em primeira pessoa, usa os adjetivos para traduzir as impressões que essa noite provocava sobre seus nervos. No segundo parágrafo, um novo elemento é introduzido: a chegada inesperada de um desconhecido. Em lugar de chamar a atenção do leitor para o indivíduo, o narrador prefere descrever toda a série de sons que sugerem uma aproximação sorrateira. Isso contribui para aumentar a atmosfera de terror e para criar a sensação de que algo sinistro está prestes a acontecer. A descrição da aproximação do visitante é intercalada por informações sobre o estado de ânimo do narrador, que se amedronta cada vez mais, antevendo um momento de confronto. Por fim, a maçaneta da porta começa a ser lentamente aberta, como se o indivíduo que tentava abri-la quisesse entrar furtivamente na casa. O texto se encaminha para o seu momento de maior tensão e o leitor, sugestionado pelos adjetivos utilizados, imagina que o estranho deve ser algum ser assustador, prestes a atacar o narrador que, indefeso e paralisado pelo medo, aguarda sua chegada.